Mergulhemos com coragem nos Mistérios profundos de Deus! (Homilia do 4º Domingo do Advento – Ano A)

Mergulhemos com coragem nos Mistérios profundos de Deus!

A Liturgia do 4º Domingo do Advento (Ano A) nos exorta para que intensifiquemos a preparação desta Festa do Natal do Senhor, com conversão, renovação e fortalecimento de nossa fidelidade ao Senhor.

A Liturgia da Palavra nos convida à purificação de indesejáveis alianças com falsos deuses que não nos alcançam a verdadeira alegria, somente assim teremos a possibilidade de um Natal bem celebrado.

É imperativo a eliminação das alianças que não nos alcançam a verdadeira alegria, pois esta só pode vir da Fonte das fontes, a Fonte da plena alegria, Cristo Jesus. Não percamos tempo em renovar nossa aliança de amor e fidelidade com Deus. Ele toma a iniciativa e espera nossa resposta.

No Evangelho Deus gera Seu Filho, pelo orvalho do Espírito, no ventre de Maria. Uma vez gerado, acolhido, concebido, em vida doada no amor extremo de Cruz, e exaltado  por Sua gloriosa Ressurreição, nos reconciliará com Deus, fazendo-nos novas criaturas.

Assim  é o Amor de Deus: gera a Fonte de amor – Jesus, recria cada um de nós no Amor do Filho, por isto somos, d’Ele, amadas e preciosas criaturas… Em nós, faz morada pelo Espírito… Haverá Mistério mais belo e profundo a ser contemplado na Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus?

Como é belo o Natal quando não esvaziamos o seu conteúdo Pascal; quando não o reduzimos a um fato do passado, a imóveis imagens num presépio…

Contemplemos duas figuras exemplares do Evangelho: Maria e José. Por trás da aparente singeleza da narrativa do sim de ambos, evidencia-se a dramaticidade vivida, a angústia, o temor… Não marcados pela ausência divina, ao contrário, uma proximidade que arranca de Seus corações expressão de total confiança, um salto no escuro exigido pela fé para o reencontro com o esplendor da luz e da verdade. Entregam-se plenamente nas mãos de Deus, acolhem Seus desígnios que ultrapassam os limites humanos.

Maria e José levam-nos a refletir quantas vezes titubeamos, tememos, oscilamos… A tibieza nos acompanha e inquinamos o verdadeiro sentido do Natal, esvaziando-o de autêntico conteúdo, quando marcado pelo consumismo, ceias que nada expressam, presentes que não são acompanhados de verdadeiro amor e carinho; cartões grafados sem a tinta imprescindível do Espírito; a tinta do amor…

Maria e José, ainda que não compreendam os Mistérios e desígnios de Deus, confiam e não se contrapõem ao mesmo, exemplarmente mergulham na obscuridade do Mistério de Deus. E este é o grande convite de Deus para nós neste Natal: aceitar participar do Seu Plano de Salvação, não por nossos méritos, mas por Sua misericórdia.

A Salvação de Deus é possível, mas não dispensa nossa liberdade de resposta e participação. Na escola de Maria e José aprendemos, a Deus, entregar todo nosso ser, nossa corporeidade, mente, espírito, tempo, fragilidade e nossa força na acolhida no mais profundo de nós, no presépio, mais ainda, na manjedoura de nosso coração Aquele que veio, vem e virá!

Eis o que nos levará a uma autêntica devoção a Nossa Senhora e a seu justo e corajoso esposo José, aquele que tão bem soube cuidar da Fonte da Vida!

Que o Advento seja Tempo favorável de nos rejuvenescermos no amor de Deus, e assim no Natal saborearmos a alegria de nos doarmos aos irmãos, como tão bem fizeram Maria e José.

Deus vem ao nosso encontro… Abracemos com alegria esta proposta de Salvação. Fecharmo-nos a Deus, eclipsando-O de nossas vidas e negarmos Cristo, fará desaparecer o sentido e o valor da vida. A esperança dará lugar ao desespero, bem como a alegria sucumbirá dando lugar à depressão; afundaremos no lodaçal do pecado, da escuridão, do desamor, do rancor, da injustiça, da solidão… Desintegração pessoal, humano-afetiva, espacial e cósmica que trará funestas consequências, instaurando o caos indesejável, afastando-nos do sonho e desejo de Deus: o Reino, o reencontro do paraíso em passos firmes e certos para a plenitude do Seu amor – céu…

Diante do presépio, coloquemo-nos em adoração extática, e uma vez extasiados pela singeleza do mesmo, renovemos nossa fidelidade a Deus, revigoremo-nos no Banquete da Eucaristia; deixemo-nos iluminar pela Luz Divina que a Palavra resplandece…

Que, com Maria e José, aprendamos que a promessa da vinda do Salvador não foi uma promessa inócua, jamais realizada; aprendamos com eles que Deus promete, Deus cumpre, pois é próprio do amor de Deus cumprir Suas promessas. A Salvação destina-se a todos, não por imposição, mas acolhida com amor e liberdade, maturidade e fidelidade. Depende do quanto, a ela, nos abrimos na acolhida do Verbo que em nós mais uma vez quer fazer morada…

Ainda é tempo de preparar um lugar digno para a presença do Deus Menino, lá no mais profundo de nós, do que nós de nós mesmos. Afinal, é próprio do amor de Deus querer habitar no coração daqueles que Ele ama!

PS: IV Domingo do Advento -(ano A) –  Liturgia da Palavra: Is 7,10-14; Sl 23; Rm 1,1-7; Mt 1,18-24

Postado por Dom Otacilio F. Lacerda

http://peotacilio.blogspot.com/2019/12/mergulhemos-com-coragem-nos-misterios.html?m=0

A Palavra do Pastor
Eucaristia: O milagre do amor e da partilha XVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

Eucaristia: O milagre do amor e da partilha XVII Domingo do Tempo Comum do Ano B

Com a Liturgia do 17º Domingo do Tempo Comum (ano B), contemplamos a ação de Deus: é próprio do Seu...
Read More
“Confirma a caridade para consolidar a unidade”

“Confirma a caridade para consolidar a unidade”

“Confirma a caridade para consolidar a unidade” Reflitamos à luz deste parágrafo do Sermão sobre os pastores, escrito pelo Bispo...
Read More
A incomparável Compaixão Divina – Homilia – 16º Domingo do Tempo Comum ( Ano B)

A incomparável Compaixão Divina – Homilia – 16º Domingo do Tempo Comum ( Ano B)

Com a Liturgia do 16º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Amor e a solicitude de Deus...
Read More
Alegria da missão e da vocação profética – Homilia do XV Domingo do Tempo Comum Ano B

Alegria da missão e da vocação profética – Homilia do XV Domingo do Tempo Comum Ano B

“A missão de Jesus é a nossa missão” A Liturgia da Palavra do 15º Domingo do Tempo Comum (ano B),...
Read More
Vençamos o medo na travessia – XII Domingo do Tempo Comum

Vençamos o medo na travessia – XII Domingo do Tempo Comum

“‘Silêncio! Cala-te!’ O vento cessou e houve uma grande calmaria. Então Jesus perguntou aos discípulos: “Por que sois tão medrosos?...
Read More
O Reino de Deus germina silenciosamente- Homilia 11° Domingo do Tempo Comum Ano B

O Reino de Deus germina silenciosamente- Homilia 11° Domingo do Tempo Comum Ano B

O Reino de Deus germina silenciosamente No 11º Domingo do Tempo Comum (Ano B), a Liturgia da Palavra nos convida...
Read More
Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Iluminados pela “Verbum Domini”, alegria Pascal transbordante

Vivendo o Tempo Comum, sejamos cada vez mais fortalecidos pela Palavra, que é fonte divina de nossa conversão, como discípulos...
Read More
O desafio da Evangelização na rede – Dom Otacilio F. de Lacerda

O desafio da Evangelização na rede – Dom Otacilio F. de Lacerda

Retomando a citação do Papa Emérito Bento XVI em que ele ressalta a missão da Igreja que é chamada a...
Read More
A Amizade Divina e a felicidade desejada – Homilia- 10º Domingo do Tempo Comum -Ano B.

A Amizade Divina e a felicidade desejada – Homilia- 10º Domingo do Tempo Comum -Ano B.

A Amizade Divina e a felicidade desejada A Liturgia do décimo Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a...
Read More
Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade! – Corpus Christi

Ó precioso e admirável Banquete de Amor e Eternidade! – Corpus Christi

Aprofundemos sobre o inesgotável Mistério da Eucaristia, à luz das Obras do Presbítero Santo Tomás de Aquino (Séc. XIII). “O unigênito...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: