Setembro Amarelo: campanha chama atenção e oferece apoio na prevenção do suicídio

No Brasil, uma pessoa tira a própria vida a cada 45 minutos, segundo o Centro de Valorização da Vida (CVV). Um dado alarmante que precisa cada vez mais de atenção da sociedade. Para isso, existe o movimento #SetembroAmarelo que este ano traz a campanha #ComoVaiVocê.

O CVV que realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio, atende voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias, convida toda a sociedade a se unir na luta pela prevenção.

O suicídio é um problema de saúde pública no Brasil e os casos têm crescido principalmente entre os jovens. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio já é a segunda causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos, no mundo. No Brasil, já é a quarta maior. Dados da OMS apontam que 32 brasileiros se suicidam diariamente.

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado no dia 10 de setembro, mas durante todo o mês a campanha busca chamar a atenção da população sobre a importância dessa discussão. O bispo de Rio Grande e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, fala da importância de conversar sobre o assunto.

“Não podemos deixar de debater e aprofundar esse tema em nossas famílias, escolas, comunidades, entre os amigos e, também na saúde pública. Todos temos a responsabilidade de ajudar a diminuir os índices que temos visto crescer em todas as faixas etárias, mas principalmente entre os jovens”, destaca dom Ricardo.

Segundo a OMS, nove em cada dez mortes por suicídio podem ser evitadas. A prevenção é fundamental para reverter essa situação, garantindo ajuda e atenção adequadas. Para a organização, a primeira medida preventiva é a educação. É preciso perder o medo de se falar sobre o assunto.

O CVV alerta que a sociedade em geral precisa reconhecer sinais, diferenciar mitos e verdades, ouvir profissionais e ter acesso a formas de apoio. Falar também é a melhor solução já que a pessoa que pensa em suicídio sofre uma grande dor e não vê saída para ela. Em geral, quem pensa em suicídio não quer necessariamente morrer, mas fazer aquela dor sair, mas não sabe como.

De acordo com dom Ricardo, a aceitação do sofrimento e da angústia da vida é fruto de uma fé autêntica e, como são Paulo nos ensina que apesar de toda dor física e moral, de humilhações, de sofrimentos, nada pode separar-nos do amor de Cristo (cf. Rm 8, 35-37).

“Para nós os cristãos, esse é um grande desafio de testemunhar a fé, a esperança e o amor, através de nossa ação concreta de salvar vidas, de ajudar a dar sentido para quem perdeu a vontade de viver, e a fortalecer os que estão enfraquecidos nesse mundo que trata as pessoas como coisa descartável e sem valor”, diz.

A mobilização de combate ao suicídio pode ser feita de diversas formas. Seja com ações informativas em empresas, os órgãos públicos se iluminando de amarelo ou cada pessoa pode se mobilizar compartilhando informações sobre o movimento Setembro Amarelo nas redes sociais, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto.

O bispo de Rio Grande alerta para a importância da ajuda e o não julgamento. “Como se trata de um ato que contradiz a nossa inclinação natural de autopreservação, devemos ser muito cuidadosos na análise das causas que levam uma pessoa a fazer isso. Mais do que procurarmos culpados ou julgarmos pessoas, precisamos aprender a ajudar pró-ativamente quem precisa do nosso apoio com atitudes de prevenção”, relata.

O bispo acrescenta ainda que “uma vontade suicida pode ir crescendo envolta de uma série de sinais que devemos estar atentos: síndromes depressivas, uso indevido e abusivo de psicotrópicos, constantes frustrações, isolamento radical, uso abusivo de drogas, atos constantes de violência contra si e contra os outros, falta de sentido, e muitas outras atitudes que podem contribuir para uma vontade suicida se instalar. Esse é um assunto que nunca podemos resolver sozinhos, mas sempre buscar ajuda espiritual, para favorecer a retomada do sentido da vida e, profissional, para detectar o fator físico, genético, psicológico ou psiquiátrico que pode estar envolvido e tratar com o devido acompanhamento”.

Dentro dessa temática de preservação e valorização da vida o perito em Espaço Litúrgico da Comissão Episcopal Para a Liturgia da CNBB, padre Thiago Faccini Paro escreceu em parceia com um amigo, o pastor Christopher Marques, o livro “Quando a vontade de viver vai embora”.

De acordo com padre Thiago, “como líderes religiosos nos unimos para abordar um tema delicado e urgente: O sentido da vida! Esperamos com este livro ajudar muitas pessoas a superarem seus dramas e encontrando um sentido pra vida. De modo especial, neste mês de alerta e prevenção ao suicídio, este livro se torna mais um instrumento na preservação e valorização da vida”.

Durante o a 15ª edição do Encontro Nacional de Responsáveis Diocesanos de Juventude (ENRDJ), que reuniu os responsáveis diocesanos adultos para refletir importantes assuntos ligados à juventude: a prevenção ao suicídio foi um dos temas abordados com o intuito de aprofundar o assunto que vem chamando a atenção de estudiosos e dos que acompanham de perto a realidade juvenil quer seja no ambiente urbano, quer seja no ambiente rural: a realidade do suicídio e automutilação.

Um material com dados desenvolvido pela professora doutora Ticiana Paiva de Vasconcelos pesquisadora de temas de atenção e cuidado psicológico em crises, desastres, conflitos humanitários e suicídios, além de pioneira no Brasil na formação de profissionais para o cuidado a crise emocional (Psychological First Aid), foi apresentado.

Confirma a íntegra do material aqui.

Mais informações podem ser acessadas no site: www.setembroamarelo.org.br

Fonte: CNBB
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