Homilia na Solenidade da Santíssima Trindade

Solenidade da Santíssima Trindade

Liturgia da Palavra:
I Leitura (Pr 8,22-31
Salmo 8
II Leitura Rm 5,1-5
Evangelho: Jo 16,12-15)

A Salvação em Cristo – A Obra do Espírito Santo – O Amor de Deus

Na Liturgia da Solenidade da Santíssima Trindade a Igreja se coloca diante do mistério do Amor de Deus, diante do qual cabe ao homem o silêncio e a contemplação. Na Segunda Leitura, São Paulo afirma que por meio da Salvação realizada pela Morte e Ressurreição de Cristo, todos têm acesso à presença e à graça de Deus. Já no Evangelho, Jesus afirma que a Obra do Espírito Santo é a de recordar aos discípulos as suas próprias Palavras, fazendo-os compreenderem e viverem o que Ele mesmo os ensinou. Por sua vez, a Leitura aos Romanos afirma que o Amor de Deus foi derramado no coração dos fiéis, por meio do Espírito Santo que lhes foi doado, como fruto da Salvação operada, por meio da morte e ressurreição de Cristo.

A Segunda Leitura aos Romanos tem início com uma afirmação do apóstolo Paulo que é fundamental para a vivência da Fé e contribui para a compreensão do Mistério da Trindade. Ele afirma que, por meio de Nosso Senhor Jesus Cristo, todos têm acesso à graça de Deus, ou seja, são inseridos na vida e comunhão divinas. De fato, Jesus oferece a sua vida fim de que a humanidade, incapaz de superar o pecado e, sobretudo a morte, pudesse ser inserida, uma outra vez, na comunhão divina. Esse dom da salvação em Cristo é oferecido gratuitamente à todos sem exceção, de modo que todos sejam acolhidos na grande família dos filhos e filhas de Deus. Pois, Ele oferece o Seu Filho para o perdão dos pecados dos homens, quando esses ainda eram pecadores, a fim de romper o muro que os separava. Sendo assim, por meio da morte e ressurreição de Cristo toda a humanidade é reconciliada com Deus, chamada à uma vida de profunda comunhão e intimidade com Ele. Um processo que teve seu início da Cruz de Cristo e continua a acontecer na vida de todos os que se abrem à graça que o Senhor continuamente derrama nos corações daqueles que com Ele vivem.

A palavra do apóstolo abre o caminho de salvação que os fiéis são chamados a trilhar, ou seja, apresenta uma estrada de seguimento para todos os que abraçam Cristo, por meio da profissão de Fé. Algo que se realiza no dia a dia da vida dos cristãos, como o próprio Paulo afirma, quando indica que as tribulações serão superadas, pela esperança que os mesmos trazem em seus corações. Tal esperança se baseia na experiência que cada um faz da Salvação em Cristo, isto é, no fato de reconhecerem a graça alcançada pela entrega de Cristo na Cruz. Ele veio para salvar a humanidade e oferecer à mesma o caminho de volta para a Casa do Pai, algo não mais restrito à uns poucos, mas oferecido gratuitamente a todos. Desse modo, por meio da Salvação realizada pela Cruz de Cristo a humanidade reconhece o Amor do Pai e recebe o Dom do Espírito, que deve agir no corações dos fiéis, tornando-os verdadeiras testemunhas da Ressurreição.

Os discípulos são enviados pelo Senhor como testemunhas de sua ressurreição, sinais claros do Reino e do Amor do Pai no mundo. Algo que somente podem realizar quando auxiliados pela força e pela presença do Espírito Santo, que é Aquele que recordará aos seus corações as Palavras do Mestre. Esta é a obra do Espírito, segundo o texto do Quarto Evangelho, ou seja, Ele é apresentado como Aquele que deve recordar aos cristãos as Palavras de Jesus, fazendo-os compreenderem a sua Missão e como deve ser o seu Testemunho. De fato, no Evangelho, Jesus afirma que o Espírito Santo conduzirá os discípulos à plena Verdade, não algo novo, mas, à compreensão plena de tudo o que Ele mesmo os comunicou. Sendo assim, graças à ação do Espírito Santo, os fiéis serão capazes de compreenderem a salvação realizada pela morte de Cristo e a sua ressurreição. Um evento que marca o início de um tempo novo, pleno da graça e da ação de Deus na vida de seus filhos e filhas.

O Espírito é envidado aos fiéis como o Dom da graça divina, apresentado como Aquele que conduzirá a comunidade dos discípulos à compreensão plena do mistério da salvação. Ele acompanhará os discípulos em seu caminho de seguimento do Senhor, tornando os seus corações capacitados para a Missão e o Testemunho. De fato, as Palavras de Jesus no Evangelho indicam que a obra do Espírito é necessária, a fim de que os discípulos possam sair de sua incompreensão, rumo ao entendimento pleno das Palavras e gestos de Jesus. De modo que sejam transformados em testemunha vigorosas da salvação realizada por meio de Sua morte e ressurreição. Sendo assim, somente por meio da acolhida de tão grande dom é que a comunidade dos discípulos poderia sair de sua apatia e medo, para assumir a Missão a ela confiada pelo próprio Jesus.

Segundo São Paulo aos Romanos, o Amor de Deus foi derramado no coração dos fiéis, por meio do Espírito Santo que receberam. Isto é, são inseridos na vida divina, pela graça do Espírito que a todos comunica o Amor do Pai manifestado na morte e ressurreição de Cristo, Desse modo, o apóstolo Paulo, dirigindo-se aos Romanos, reconhece que a humanidade inteira é inserida na comunhão profunda com o Pai, por meio de Cristo. De fato, em sua entrega na Cruz, sinal claro do Amor de Deus, todos são feitos filhas e filhos de Deus, isto é renascem para uma vida nova, fruto do amor divino. Uma obra do Espírito que continua a agir no coração dos fiéis, que são gradativamente mergulhados no mistério do Amor divino, que se derrama por meio de Cristo.

O fiel cristão deve se entender como filho do Amor, não somente por ter nascido em Cristo, como nova criatura, mas também, por receber gratuitamente do amor do Pai todos os dias. Desse modo, segundo São Paulo, o Espírito Santo é o que une e, ao mesmo tempo, conduz os filhos e filhas de Deus a fazerem a experiência profunda do Seu Amor. De fato, o Espírito é Aquele que, ao tocar os corações dos fiéis, desperta neles a verdade do Amor divino, de modo que todos sejam conduzidos por esse mesmo amor. Sendo assim, a filiação divina, dom gratuito do Amor de Deus, traz em si também uma vocação e missão, ou seja, implica num compromisso que deve ser assumido por todos. Os cristãos formados na escola do Amor do Pai são convidados a serem missionários deste mesmo divino Amor. De maneira especial, por meio de suas palavras e ações, sendo capaz de tocar a vida dos homens e mulheres com os gestos concretos de solidariedade e compaixão, frutos do Amor que recebeu do Pai, por meio da ação do Espírito que a todos foi dado.

Que a liturgia da Solenidade da Santíssima Trindade possa tocar nos corações de todos, a fim de que sejam capazes de reconhecer o gesto do Amor divino que em Cristo reconciliou o mundo consigo e a todos adotou como filhos e filhas. De modo que, cada fiel, mergulhado no Amor de Deus, derramado nos corações por meio do Espírito Santo, tornem-se sinais e testemunhas concretas do amor solidário e compassivo de Cristo.

Pe. Andherson Franklin Lustoza de Souza

Diocese de Cachoeiro de Itapemirim/ES.

A Palavra do Pastor
“A Deus o que é de Deus” – Homilia – XXIX Domingo do Tempo Comum do Ano A

“A Deus o que é de Deus” – Homilia – XXIX Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Liturgia do 29º Domingo do Tempo Comum (ano A) tem como tema principal a subordinação de nossa existência a...
Read More
O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada (-Homilia- XXVIII Domingo do Tempo Comum -Ano A

O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada (-Homilia- XXVIII Domingo do Tempo Comum -Ano A

O Banquete do Cordeiro e a “veste” apropriada A Liturgia, do 28º Domingo do Tempo Comum (Ano A), apropria-se de...
Read More
A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus – Homilia- XXVII Domingo Comum do Tempo A

A Vinha do Senhor e os frutos esperados por Deus – Homilia- XXVII Domingo Comum do Tempo A

  Com a Liturgia do 27º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletiremos sobre os frutos abundantes que  o Senhor...
Read More
O imperativo da conversão no trabalho da Vinha do Senhor- Homilia para o XXVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

O imperativo da conversão no trabalho da Vinha do Senhor- Homilia para o XXVI Domingo do Tempo Comum do Ano A

  Com a Liturgia do 26.º Domingo do Tempo Comum (ano A), contemplamos um Deus que chama a todos para...
Read More
Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor – Homilia para o XXV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor – Homilia para o XXV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Como é bom trabalhar na Vinha do Senhor! Com a Liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum (ano A), refletimos...
Read More
Amados e perdoados para amar e perdoar – XXIV Domingo do Tempo Comum do Ano A

Amados e perdoados para amar e perdoar – XXIV Domingo do Tempo Comum do Ano A

A Liturgia do 24º Domingo do Tempo Comum (Ano A), trata do tema do perdão. Contemplamos a Face de Deus...
Read More
”  A caridade é a plenitude da Lei” – Homilia -XXIII  Domingo do Tempo Comum Ano A

” A caridade é a plenitude da Lei” – Homilia -XXIII Domingo do Tempo Comum Ano A

“A caridade é a plenitude da Lei” “O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é...
Read More
Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz! Homilia do XXII Domingo Tempo Comum Ano A

Sejamos fortalecidos no carregar da Cruz! Homilia do XXII Domingo Tempo Comum Ano A

A Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano A) traz um convite que a muitos assusta e desaponta: “A...
Read More
O Senhor nos envia em missão – Homilia do XXI Domigo do Tempo Comum do Ano A

O Senhor nos envia em missão – Homilia do XXI Domigo do Tempo Comum do Ano A

O Senhor nos envia em missão Com a Liturgia do 21º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre dois...
Read More
Maria nos ensina o caminho para o céu – Homilia Dominical – Assunção de Nossa Senhora

Maria nos ensina o caminho para o céu – Homilia Dominical – Assunção de Nossa Senhora

  Celebramos no dia 15 de agosto, a Solenidade da Assunção da Virgem Santa Maria, um dos dogmas da Igreja,...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: