Homilia de Dom Leonardo, bispo emérito de Paracatu durante a Missa em ação de graças pelos 33 anos de instalação da diocese

                                                                    1° DE MAIO EM GUANHÃES

Para homilia desse 1° de maio, trago três considerações. 1º – afigura do operário José, carpinteiro, esposo da Virgem Maria, pai adotivo de Jesus. 2º – Sendo abertura de mês mariano, nosso olhar se volta espontaneamente para a Virgem Maria. 3º Comemoramos os 33 anos de instalação desta Diocese e posse de seu 1° bispo, o saudoso e tão querido Dom Antônio Felippe da Cunha.

Ao retornar à cidade onde  tinha sido criado, Jesus causa o maior espanto e admiração por sua profunda sabedoria. Convidado a falar na sinagoga de Nazaré, toma um texto de Isaías que fala de sua identidade e de sua missão. Admirados os ouvintes se perguntam: Não é ele o filho do carpinteiro? Onde ele aprendeu tudo isso? (13:55). Não é Ele Filho do carpinteiro! Jesus entra em nossa história, está entre nós, nascido de Maria pelo poder de Deus, mas com a presença de José, pai adotivo, de pleno direito. José cuida do filho e Ihe  ensina seu trabalho. Jesus então vira operário e com seu exemplo santifica, dá dignidade e importância ao trabalho! Contemplemos, pois, Jesus que nasce e vive em uma  famíia e aprende com José o ofício de carpinteiro,  na modesta carpintaria em Nazaré, dividindo com ele seus compromissos, esforços, satisfação e as dificuldades do dia a dia. O Gênesis nos diz que Deus criou o homem e a mulher dando-lhes a missão de encher a terra e sujeitá-la, isto é, cultivá-la, protegê-la, cuidar dela com o seu trabalho, mas não destrui-la (Gen.1, 28 2 15). O trabalho faz parte do plano de amor de Deus. Somos chamados a cultivar e cuidar de todos os bens da criação, participando do ato criativo de Deus. O trabalho é fundamental para a dignidade de uma pessoa Disse o Papa Francisco: o trabalho nos unge de dignidade, nos plenifica de dignidade, de certa forma nos toma semelhantes a Deus, que trabalhou, trabalha e age sempre ( s7), dá a capacidade de nos manter nossa família, contribuir para crescimento da nação, O trabalho é um dever e um direito de todos. Trabalho não é maldição! Muito ao contrário: maldição é a falta de emprego. Vivemos uma tragédia: o desemprego. Triste e revoltante situação de nosso imenso e rico pais. É de causar revolta a realidade de treze milhões de brasileiros desempregados. No entanto, não há que perder a esperança. Vale aqui uma séria acusação contra outra dolorosa  situação, infelizmente ainda muito comum entre nós: o trabalho escravo. Quanta gente no mundo é vitima desse tipo de escravidão. É justo que a classe operária se junte em protestos e denúncias contra tamanha perversidade e busque, de forma ordenada mas firme, solução para seus problemas. Enfim, o trabalho pode ser penoso, mas nos faz crescer em experiência e purifica nossa vida, é e será sempre um importante direito, conforme a Declaração dos Direitos Humanos de 1948, sacramentada pelos membros das Nações Unidas. Daí resulta a grave obrigação social dos governantes de assegurar trabalho para todos, o que infelizmente está longe de acontecer. Nossa celebração lembra que, na visão cristã, trabalho não é somente ter um emprego para ganhar dinheiro, mas o trabalho é a atividade do ser humano que o faz sentir-se vivo, sentir-se útil e realizado, vivendo a dignidade de todo filho ou filha de Deus. Maio, mês de Maria. Desde o início da evangelização do Brasil, Nossa Senhora teve e tem uma grande presença na formação e na vivência crista do nosso povo. Como é bom reconhecer que a nossa cultura tem raiz cristă e mariana. Basta observar quantas dioceses, paróquias, cidades, vilas, bairros, serras, rios, colégios, empresas, pessoas trazem o nome da Mãe do Céu, sob os mais diferentes títulos com os quais é invocada no Brasil e no mundo, para perceber o quanto o nosso povo, venera e ama a Virgem Maria. Cultivamos especial manifestação de piedade, amor e confiança para com a Virgem Maria, seguindo a recomendação do Concilio Vaticano Il: todos os fiéis cristãos ofereçam insistentes súplicas à Mãe de Deus e Mãe de todos nós, para que Ela, que com suas preces assistiu o nascimento da igreja, também agora, exaltada no céu, na Comunhão de todos os Santos, interceda por nós junto a seu divino Filho, agora, sim, mas sobretudo na hora de nossa morte. E recomenda seja dado grande valor às práticas e aos exercícios de piedade muito comuns em todo o nosso pais, no correr do ano inteiro, mas especialmente neste mês de maio, com os quais veneramos a Santa Mãe de Deus, por exemplo, a reza diária do Terço em família, as Novenas em honra e louvor a Maria, as Coroações de Nossa Senhora, prática muito divulgada em nosso estado. Por tudo isso pedimos que Nossa Senhora abençoe todos os lares do Brasil, para que sejam uma pequena igreja doméstica, onde se vive o amor, a fé, a união e a paz. Que Nossa Senhora tenha sob  sua poderosa intercessão nossa querida Diocese de Guanhães. A propósito, esta amada Diocese está completando trinta e três anos de existência. Com forte emoção e alegria, recordo a grandiosa cerimônia de sua instalação e posse do 1° bispo diocesano, Dom Antônio Felipe da Cunha, na manhã de 1º de maio de 1986. Constituída de paróquias desmembradas da Arquidiocese de Diamantina e das Dioceses de Itabira e Governador Valadares, foi sob o olhar e a proteção da Mãe de Deus e do operário S. José que a Diocese, como criança que começa a andar, deu seus primeiros passos, bem firmes e decididos, sob o zelo, a piedade e o cajado do tão querido Dom Felippe, projetando-se logo no cenário religioso e pastoral do Regional Leste II da CNBB. Pena é que, não muito tempo depois, inesperadamente, fomos colhidos pela triste noticia do falecimento de Dom Felipe, vitima de enfarto fulminante. Sucedeu-lhe Dom Emanuel Messias que, por sua vez, não permaneceu muito tempo aqui, transferido que foi para a Diocese de Caratinga. Veio Dom Jeremias que no ano passado, por razões pessoais, entregou ao Papa sua renúncia ao governo da Diocese. Agora, em meio à perplexidade e tristeza que tomaram conta de todos, aguardamos ansiosos e cheios de expectativa a nomeação do próximo Bispo. Pelas conversas ao pé do ouvido ouve-se dizer que sua nomeação está para sair a qualquer momento. Estou aqui a pedido pessoal do sr. Arcebispo de Diamantina, Dom Darci José Nicioli, DD. Administrador Apostólico da Diocese. Teve início hoje, pela manhã em Aparecida, a Assembleia Geral Ordinária da CNBB, razão por que Dom Darci não pôde comparecer e me pediu para representá-lo nesta cerimônia. Muito honrado, embora consciente de minha insignificância e incapacidade de uma melhor representação, uno-me a todos vocês, irmãos e irmãs, para louvar e agradecer a Deus pelos 33 anos da Diocese de Guanhães, e pedir a Deus que, o mais breve possível, mande-nos um bispo que, antes de tudo mais, seja um amigo, pai e pastor desta amada Diocese, para a glória de Deus, para o bem e a felicidade de todos Vocês. Diocese de Guanhães: sê o que és! Igreja Particular, vivendo o dinamismo da comunhão e missão. Em torno do bispo que está para ser nomeado e em perfeita comunhão com ele, floresçam as paróquias e as comunidades cristãs como células vivas e pujantes de vida eclesial na busca de uma caminhada conjunta, mantendo sua fisionomia própria. O espírito de comunhão e participação seja o grande ideal e a luz inspiradora de sua ação pastoral. Que o novo pastor a ser nomeado realize o sonho do Papa Francisco: fazer da Diocese uma lgreja em saída e que ele próprio, a exemplo de Jesus Bom Pastor, conheça de perto a vida, a cultura, os problemas de suas ovelhas e, sob a ação do Espírito Santo, promova com vigor a evangelização de sua gente, concorra para a promoção humana e a enculturação da fé. Concluindo, permitam-me um esclarecimento. Por diversos motivos que não preciso referir aqui, prendo-me a três dioceses:  à arquidiocese de Diamantina, em razão de origem e nascimento. À diocese de Paracatu, da qual fui o pastor diocesano por 26 anos e meio. E a esta amada diocese de Guanhães, particularmente a esta cidade que me acolheu, me concedeu o título de cidadão honorário, o que me permite dizer e saudá-los assim: prezados conterrâneos guanhanenses. Amo esta terra! Sinto-me orgulhoso de me considerar guanhanense. Asseguro-lhes minhas orações, porque peço sinceramente a Deus que abençoe a Diocese, abençoe todo o nosso bom povo católico, abençoe a todos vocês, queridos irmãos e irmãs!

Amém!

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