Políticas públicas: fazer acontecer

   

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            A Campanha da fraternidade 2019 nos convida a aprofundar a temática da dignidade humana. Ela nos traz alguns questionamentos: O que são políticas públicas? Como são construídas? Que contribuição podemos dar, à luz do Evangelho, para que esse processo se realize?

O tema bíblico escolhido foi tirado do livro do Profeta Isaías: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is1, 27). “Direito” designa a ordem justa da sociedade. “Justiça” é a obrigação moral do direito em favor dos mais necessitados.

As Políticas públicas afetam a todos os cidadãos, de todas as escolaridades, independente de sexo, raça, religião ou nível social. O bem-estar da sociedade está relacionado a ações bem desenvolvidas e à sua execução em áreas como saúde, educação, meio ambiente, habitação, assistência social, lazer, transporte e segurança, ou seja, deve-se contemplar a qualidade de vida como um todo.

Portanto, políticas públicas são conjuntos de programas, ações e decisões tomadas pelos governos (nacionais, estaduais ou municipais)  que visam assegurar determinado direito de cidadania para todos.  Ou seja, correspondem a direitos assegurados na Constituição.

Um programa da prefeitura que esteja beneficiando seu bairro, por exemplo, é uma política pública.

A Campanha da Fraternidade 2019 é um convite para que todos participem da elaboração de políticas públicas que visam à construção de uma sociedade baseada no direito e na justiça, livre de qualquer desigualdade. O que podemos fazer? Como vamos fazer? O que a lei nos garante?

Será isso uma utopia? Isso não vai dar em nada, não adianta lutar. Isso é muito difícil…

No Evangelho de Lucas, capítulo 9,51 diz que Jesus tomou a firme decisão de partir para Jerusalém. Ele sabia muito bem o que lhe aconteceria naquela cidade, a cruz o esperava. Mas ele não teve medo.

Em Jerusalém também Jesus ressuscitou! Jesus venceu as maldades e as contradições de Jerusalém. O poder matou-O, mas a morte não teve a última palavra.

Só foi possível fazer experiência da Ressurreição por causa dessa decisão de “ir a Jerusalém”. Para viver como “ressuscitados” é necessário sempre ter clareza da “nossa Jerusalém”.

Chico Buarque foi cantando: “apesar de você, amanhã há de ser outro dia… Inda pago pra ver, o jardim florescer, qual você não queria…”.

Projota, na música Samurai, canta: “Quando cortaram os meus braços eu chutei,/ Quando cortaram minhas pernas eu dei cabeçada,/Quando cortaram minha cabeça, eu mordi na jugular e não soltei por nada, não soltei por nada!/Quando cortaram os meus braços eu chutei,/Quando cortaram minhas pernas eu lutei… como Samurai!”

A maior resposta é resistir com criatividade, organização e esperança – sem perder a ternura e o a(fe)to. Quando “largamos mão de tudo”, estamos fazendo aquilo que os piores da história querem.

                                                                            Pe. Hermes F. Pedro

 

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