JMJ 2019 – Panamá

Jovens com o Papa no Panamá

De 22 a 27 de janeiro, realiza-se a 34ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ 2019) com o Papa. Desta vez, será no Panamá e, diversamente das anteriores, acontece em janeiro, em vez de julho ou agosto, por causa das condições climáticas do país centro-americano.

A Cidade do Panamá, todas as dioceses do País e também de Costa Rica preparam-se para receber centenas de milhares de jovens de todo o mundo, com sua alegria e jovialidade, suas expressões culturais próprias e sua fé comum. O Panamá preparou-se com esmero para acolher e hospedar a todos e para lhes oferecer a ocasião de uma experiência religiosa e cultural única. Também muitos sacerdotes, religiosos e bispos acompanharão os jovens.  A abertura do encontro, no dia 22, será feita com uma celebração presidida pelo arcebispo local. A partir de 23 de janeiro, por três dias, haverá catequeses para muitos grupos linguísticos diversos, sobre aspectos do tema da Jornada. Bispos farão as catequeses e, em seguida, celebrarão a Missa com o respectivo grupo. Ao longo desses dias, numerosas outras atividades serão oferecidas aos jovens. Não faltarão ocasiões para a confissão e o aconselhamento espiritual individual aos jovens.

O Papa Francisco tem seu primeiro encontro com os jovens na quinta-feira, dia 24 de janeiro. Será o momento das boas-vindas e de uma primeira mensagem aos participantes da Jornada. O Papa participará também da Via-Sacra, que se faz normalmente na sexta feira. No sábado, 26 de janeiro, haverá a grande vigília do Papa com os jovens e, no domingo, 27 de janeiro, a celebração do encerramento da Jornada.

O tema escolhido pelo Papa para esta Jornada é o seguinte: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça- -se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). São as palavras da resposta de Maria ao anjo Gabriel, que lhe anunciou que ela seria a Mãe de Jesus Cristo, Salvador. Após ter manifestado sua perplexidade e, talvez, também o seu medo diante daquilo que lhe tinha sido pedido, Maria aceitou e se colocou à disposição de Deus.

O tema está relacionado com a recente assembleia do Sínodo dos Bispos, em outubro passado, sobre “juventude, fé e discernimento vocacional”. As Jornadas têm sido, para os jovens, ocasiões para fazerem uma bela e profunda experiência da fé eclesial católica. Ao saírem de suas localidades e seus países, para conviverem por alguns dias com jovens provenientes de tantos outros países, raças e culturas, os jovens percebem muito concretamente que há algo que os une de maneira profunda e forte: a fé em Jesus Cristo e a fé da Igreja Católica. Essa fé é a mesma para todos, experimentada na mesma Igreja, como sua casa, sua família, sua mãe, seu campo de missão. Num mundo cultural que leva ao isolamento individualista e, talvez, também ao fechamento egoísta, que diminui os horizontes da experiência humana, é muito importante que os jovens possam fazer a experiência da catolicidade da sua fé e da pertença à Igreja.

As Jornadas também são fortes momentos de discernimento vocacional para os jovens. De fato, muitas vocações para o sacerdócio e a vida consagrada despertam durante as Jornadas da Juventude. E também muitos casamentos têm sua origem nos dias de convivência nas Jornadas. Nem poderia ser diferente, pois a questão vocacional está sempre presente nessa fase da vida. O tema escolhido para a Jornada do Panamá tem forte conotação vocacional e leva a se perguntar sobre o sentido da própria existência, as escolhas que precisam ser feitas e que, muitas vezes, assustam e angustiam, como aconteceu também com Maria.

A escolha da vocação requer escuta atenta da voz de Deus, que se manifesta de muitos modos diferentes também aos jovens de hoje. Sem essa escuta interior, é difícil ouvir a voz de Deus que chama. Vivemos no meio de tantas distrações, que ocupam nosso tempo, nossa atenção e energias e somos tentados a reagir, simplesmente, diante das solicitações e impulsos do momento, sem termos um caminho claro e uma meta na vida. O resultado disso é a permanente imaturidade pessoal, a incapacidade de empenhar a própria vida num projeto mais firme e duradouro, a angústia e o medo da vida.

A jovem Maria já tinha uma profunda experiência de fé, que lhe possibilitou dar sua resposta serena ao anúncio do anjo Gabriel: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim, segundo a tua palavra”. Uma forte experiência de fé também ajudará a muitos jovens de hoje a darem essa mesma resposta.

JMJ 2019: saiba mais sobre o Panamá, país-sede do evento

A atual edição da JMJ acontecerá neste pequeno país localizado à América Central, repleto de fiéis católicos

De 22 a 27 de janeiro, será realizada no Panamá a Jornada Mundial da Juventude. 2019. O tema desta JMJ será “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra (Lc 1, 38)”, anunciado pelo Vaticano em novembro de 2018.

Esta, que será a 32ª edição do evento, terá como sede um dos mais importantes centros comerciais das Américas, cuja capital é a Cidade do Panamá. Mas por que o Papa Francisco o escolheu como sede deste evento destinado aos jovens católicos?

“A América Central não tem muita visibilidade, o Panamá é um país pequeno que tem certa dificuldade para atrair grandes atividades. A Jornada acaba por ajudar neste lado, que é um pouco esquecido das nossas Américas”, pondera o padre Antônio Ramos de Prado, assessor para a Juventude da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Muitas famílias, no Panamá, estão acolhendo os jovens peregrinos que participarão da JMJ, num ato em que o auxílio dos leigos se mostra fundamental para o sucesso do evento. “Todos acabam se envolvendo para contribuir, até porque os fiéis e leigos percebem que este é um grande evento, isto causa uma sensibilidade maior nas pessoas, trata-se de um gesto muito importante para o país”, explica o religioso.

O Panamá é um país de forte presença católica: são 2,7 milhões de fiéis espalhados pelo país ou 72% da população. “Lembremos ainda que São João Bosco é padroeiro do Panamá. Inclusive, uma das urnas de Dom Bosco está lá, o santuário dele é um centro de grande peregrinação. Isso só estreita os lados da Igreja com o Panamá”, afirma Padre Antônio.

Panamá mais de perto

A grade força motriz por trás do país é o Canal do Panamá, construído há quase um século. A construção foi fundamental para o desenvolvimento não apenas do Panamá, mas do mundo todo, uma vez que o canal liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico.

Os Estados Unidos encabeçaram a construção deste canal ― que levou uma década para ficar pronto (1904 a 1914). “Desde a conquista espanhola, a área tem sido de grande interesse estratégico para várias nações”, explica o geógrafo Gerson de Freitas Júnior. “Após o processo de transição da soberania do Canal, dos EUA para o Panamá, que durou pouco mais de vinte anos (1977-1999), os panamenhos passaram a administrar o Canal, o que é de grande importância econômica para o país”, reitera.

Do ponto de vista religioso, o Panamá é um país predominantemente católico. Em termo étnicos, é bem parecido com o Brasil, com uma população miscigenada, originalmente composta por grupos indígenas.

“Atualmente, a maior parte da população é composta por mestiços e descendentes de africanos, além de indígenas, pessoas de origem europeia e uma pequena porcentagem de pessoas de origem asiática. Assim como o Brasil, o Panamá apresenta núcleos de resistência de populações afrodescendentes, o que levou o país a participar do Projeto Quilombos das Américas – Articulação de Comunidades Afrorrurais (2011), em parceria com Brasil e Equador”, lembra o geógrafo.

Peculiaridades

O Panamá guarda diversas distinções e similaridades com seus vizinhos da América. Além da grande riqueza cultural, linguística e histórica, arregimenta a influência de muitos outros povos. Embora a língua oficial seja o espanhol, ainda são faladas muitas línguas indígenas, com destaque para os sete grupos indígenas que ocupam grande parte do território do país em áreas designadas como Comarcas, sendo que os Naso vivem na fronteira entre o Panamá e a Costa Rica e organizam-se sob um regime monárquico próprio. Atualmente, a população indígena chega a cerca de 10% do total do Panamá. Ainda sobre a economia, o dólar é a moeda predominante no país, mas atrelada a ela está o Balboa panamenho. Ambas são aceitas, embora o Balboa só circule na forma de moedas. Na prática, o dólar americano é a moeda corrente e amplamente utilizado.

 

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