Aprendei de mim e ide…

O missionário é convidado a nutrir uma espiritualidade que surge do coração do próprio Deus. Para tanto, seria edificante partir de uma espiritualidade de baixo, pé no chão (DUFNER; GRÜN, 2014), isto é, quanto mais se percebe as próprias fraquezas e incompreensões, confessando-as, mais perto da graça de Deus o discípulo de Jesus estará, pois assim se torna forte para enfrentar as exigências do reino que não são poucas.

Uma das consequências do mandato missionário de Jesus é particularmente a renúncia de si para acolher aqueles que serão evangelizados. É preciso falar, mas também aprender e encarnar as palavras do divino mestre nas atitudes cotidianas, pois mais do que palavras o mundo carece de testemunho.

Na escola de Jesus, os apóstolos tinham os momentos de catequese particular, mas também coletiva, pois o mestre quis lhes revelar não grandes, mas pequenas e edificantes situações da vida cotidiana. Ao povo, “anunciava-lhes a Palavra por meio de muitas parábolas […], conforme podiam entender; e nada lhes falava a não ser em parábolas. A seus discípulos, porém, explicava tudo em particular” (Mc 4, 33-34). O seguidor de Jesus Cristo deve partir concretamente da realidade, claro! Sem deixar de fazer seus momentos de entrega pessoal e também coletiva, pois o ardor missionário é sustentado pela oração.

Oração esta que nasce da intimidade com o Senhor, pois um missionário se sustenta da eucaristia e da entrega a outrem. Jesus não é um mestre que apenas expõe o conteúdo, mas ensina na prática o que é preciso para se chegar ao outro que também é convidado a ser missionário. Quem anuncia o reino deve entender que nem sempre as coisas irão fluir bem, pois a vinha é grande e, consequentemente o trabalho tende a aumentar cada vez que os batizados não assumem seu dever missionário.Durante a ca

minhada será preciso confessar que não se aprendeu o bastante e que é necessário recomeçar de baixo. Pedro é um dos exemplos desse processo quando entra para a escola do evangelho. Confessou amar o senhor, mas preso a si mesmo não fez a experiência de descer à sua própria miséria humana. Só pela graça de Deus ele confessa o amor a Jesus (Jo 21, 15-18), amor este que implica renuncia de si e entrega verdadeira ao reino. Assim, “também em suas fraquezas, Pedro é representante do discipulado” (KASPER, 2008, p. 39).

Isso significa que há sempre um retorno aos ensinamentos do mestre, pois os seres humanos podem recomeçar sempre. O missionário não é pronto, mas vai se aperfeiçoando ao perfil do mestre. Quando se adere ao projeto dele, nada fica como estava, porém tudo se transforma a partir da sincera adesão e prática do que se experimenta: as incoerências são denunciadas e levam à autentica vivência da fé. A consciência, núcleo secretíssimo e sacrário do homem, segundo o Catecismo Católico (p. 480, art 6º, n.1776) passa a ser decisiva nos atos dos filhos de Deus, impondo-lhes fazer o bem e evitar o mal (CIC, p. 480, art 6º, n. 1777) em diversas situações da vida humana.

Portanto, Jesus chama a cada um de forma verdadeira e pelo nome. Ao aderir a este projeto, a pessoa se transforma, mas não está isenta das situações cotidianas sendo boas ou más. Ser discípulo é reconhecer que deseja estar na graça divina, mas que também é fraco e necessita da misericórdia do Pai para se reerguer após uma queda. Jesus ensina em particular a cada discípulo, pois sabe que deles será cobrado ainda mais. A oração é essencial à vida do discípulo, pois só nela podem surgir vocações sinceras e despojadas que confessem quando preciso suas fraquezas e o desejo de retornar à fonte. Ademais, Pedro é um dos exemplos de acolhida da proposta, de fraqueza diante das exigências cotidianas e de retorno à fonte central que é Jesus.

Que neste mês missionário flua em cada cristão o desejo de acolher cada vez mais a proposta do reino sem deixar de ser humano, confessando suas fraquezas, retornando à fonte e se comprometendo com o Evangelho da Alegria.

Filipe Ferreira Coelho, 1º ano de Teologia.
Diocese de Guanhães.

A Palavra do Pastor
O chamado divino e a nossa resposta – Homilia – Segundo Momingo do Tempo Comum ( Ano B)

O chamado divino e a nossa resposta – Homilia – Segundo Momingo do Tempo Comum ( Ano B)

Deus nos chama para que anunciemos a Sua Palavra e não a nós mesmos, porque nisto consiste a vocação do...
Read More
Viver o Batismo é seguir os passos de Jesus- Homilia para o Domingo do Batismo do Senhor-Ano B- Dom Otacilio 

Viver o Batismo é seguir os passos de Jesus- Homilia para o Domingo do Batismo do Senhor-Ano B- Dom Otacilio 

Com a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor (ano B), refletimos sobre a revelação de Jesus Cristo, o Filho...
Read More
Sejamos um sim a Deus e ao Seu Projeto de Salvação! Homilia – 4º Domingo do Advento do Ano B

Sejamos um sim a Deus e ao Seu Projeto de Salvação! Homilia – 4º Domingo do Advento do Ano B

Com a Liturgia do 4º Domingo do Advento (ano B), damos mais um passo fundamental nesta caminhada de preparação para...
Read More
Confiança, esperança e alegria no Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Advento – Ano B

Confiança, esperança e alegria no Senhor – Homilia – Terceiro Domingo do Advento – Ano B

“João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.” Ao celebrar o 3º Domingo do...
Read More
Advento: vigilância ativa e efetiva – Homilia de Dom Otacilio – Primeiro Domingo do tempo do Avento Ano B

Advento: vigilância ativa e efetiva – Homilia de Dom Otacilio – Primeiro Domingo do tempo do Avento Ano B

Com o primeiro Domingo do Tempo do Advento (ano B), seremos convidados à vigilância, numa frutuosa preparação para o Natal...
Read More
Alegres e convictos Servidores do Reino – Homilia e reflexões de Dom Otacilio para o XXXIII Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Alegres e convictos Servidores do Reino – Homilia e reflexões de Dom Otacilio para o XXXIII Domingo do Tempo Comum (Ano A)

  Alegres e convictos Servidores do Reino (Homilia - XXXIIIDTCA) A Liturgia do 33º Domingo do Tempo comum (Ano A),...
Read More
Permaneçamos vigilantes – XXXII do Tempo Comum do Ano A.

Permaneçamos vigilantes – XXXII do Tempo Comum do Ano A.

Com a Liturgia, do 32º Domingo do Tempo Comum (Ano A), refletimos sobre a necessária vigilância ativa na espera do...
Read More
O Ministério do padre na hora mais difícil: a morte.

O Ministério do padre na hora mais difícil: a morte.

Finados: dia de recolhimento, oração e contemplação de nossa realidade penúltima, a morte; fortalecimento na fé sobre nossa realidade última,...
Read More
Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Homilia Festa de todos os santos e santas)

Bem-Aventuranças vividas, Santidade alcançada (Homilia Festa de todos os santos e santas)

  A Solenidade de todos os Santos abre nosso espírito e coração às consequências da Ressurreição. Para Jesus, ela foi...
Read More
Amor a Deus e ao próximo, dois amores inseparáveis – 30º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Amor a Deus e ao próximo, dois amores inseparáveis – 30º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

Amor a Deus e ao próximo, dois Amores inseparáveis O Mandamento do Amor é a essência da vida cristã Com...
Read More

Empresas que possibilitam este projeto: