A FORÇA DOS VALORES NA VIDA. Uma reflexão

“Os valores dizem quem eu sou”
(Côn. Manuel)

O que estava no coração de Jesus quando acolheu os leprosos (Lc 17,11-19), a samaritana (Jo 4, 7ss), Zaqueu (Lc 19,1-10), os pecadores (Lc 15, 1ss) e tantos outros. No simples lar de Nazaré (Lc 2, 52) Jesus mostrou para nós valores que quem os leva a sério é muito mais feliz. Diante desta realidade fico pensando no tempo que dedicamos a nós mesmos. Na atualidade, ao acordarmos, em vez de nos colocar diante do criador e agradecer por mais uma oportunidade de viver, olhamos primeiro o celular e o whatSapp. O bom dia está se entregando às mensagens que enviamos aos amigos online nos esquecemos daqueles que estão ao nosso redor. A educada e tão importante bênção que pedimos a nossos pais está sendo substituída por um tchau ou um até mais tarde. O nosso tradicional vai com Deus ou vem com Deus, está perdido nas pressas para se chegar ao trabalho ou no merecido repouso. Neste hodierno modernismo os valores estão perdendo sua robustez, mormente, sua energia moral. Hoje, o que nos parecia tão simples e educado no lar onde nos viu nascer e crescer, parece que está sendo um problema. O educado nos põe antiquados e o moderno, que nos devia edificar desde cedo, nos direciona para um individualismo. Fernando Pessoa nos diz: “A muita liberdade pode nos levar ao isolamento. Se queres viver só, ainda te falta nascer em muita coisa”. Veja ao teu redor. As pessoas, hoje, olhem mais para baixo do que para frente.
Num amontoado de atrações que vislumbram de um jeito elegante nossas atenções, somos facilmente levados a nos distrair nos detalhes, como meios de comunicação e as mídias em geral, e nos esquecemos do que nos faz bem para o nosso convívio social, comunitário, profissional e, sobretudo, cristão. Hoje pensamos que tudo está correto. O estar ligado ou desligado é uma questão de momento. Não te esqueças do que diz Paulo Coelho: “Não existe nada de completamente errado no mundo, mesmo um relógio parado, consegue estar certo duas vezes por dia”. Daqui sermos convidados a valorizar nossos valores que nos vão graduar no dia a dia. É, assim, que chegamos às normas, princípios ou padrões sociais aceitos ou mantidos por cada indivíduo, classe e sociedade. Testemunha isso Dalai Lama: “Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e, principalmente, viver”. Acrescenta Albert Einstein: “Não tentes ser bem sucedido, tenta antes ser uma pessoa de valor”. Aceitando ou não todos precisamos de regras, princípios e bons costumes. Não se trata apenas de emoções ou algo que comercializamos para bem viver, mas que representa o que de fato temos no coração. Assim condecoramos a educação, fortalecemos o caráter e damos sentido ao valor que temos nos reais valores que a vida nos oferece. Jesus no proporciona uma bela reflexão sobre os valores no Evangelho de Mateus capítulo 25, 35-45. Vale a pena dar uma olhada.
O cotidiano é o espaço fisicamente preparado para nascer, crescer, produzir e amadurecer os valores nos quais acreditamos e nos fazem bem. Como é bom ouvir: Fulano é educado, tem postura, sabe se apresentar e consegue ouvir e ser ouvido. Valores não são regras frias; não são apenas pontos e vírgulas no texto da vida. Valores são pequenas atenções que preenchem o dia a dia e celebram o existir com mais presença amorosa. Se um simples obrigado diz que a pessoa oferece o que tem, imagine quando os valores presidem o respeito para ajeitar as relações diárias. Acredite a vida se encarrega de editar as filmagens da experiência. Com os valores não é diferente.

Diz-nos Hudson Charles: “O verdadeiro valor da vida, é dar valor a própria vida”. Os valores não são apenas sons. São verdadeiras cordas de violão. Na soma de seus tons sempre uma nova canção é erigida. Componha sua vida de valores. Veja os atletas subindo as montanhas. A vitória não está em chegar no topo, mas aprender a escalar. Mesmo que a vida te derrube com distrações, é você que escolhe a hora de recomeçar. Não te envergonhes de dizer às pessoas: “Eu tenho valores”. Pense nisso.

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo
Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC
Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – ALAD.
Membro da Academia Marial – SP – Aparecida

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