A comunicação só existe quando a palavra não volta vazia

“Toda bíblia é comunicação de um Deus amor, de um Deus irmão…” Qual de nós não pode completar pelo menos a primeira estrofe desta canção? Até os cristãos menos reticentes como eu sei sabem!

Eu confesso que só recentemente soube que a música que tanto ouvi em celebrações religiosas é do poeta Padre Zezinho, mensageiro de Deus que várias gerações das 27 paróquias desta Diocese de Guanhães, aprenderam a ouvir e a respeitar. Muita gente quando vai meditar sobre um tema ligado à vida cristã, tem uma música na memória. Muitos não se lembrarão dela inteira, nem de toda a letra, quanto mais do autor.

Mas do foco central da mensagem – da comunicação divina que nos chegou através dela certamente todos saberão. Mesmo por que, cada um de nós a recebeu e reagiu a ela de acordo com sua maneira de ver e entender a vida. Ou seja, aquilo que volta a nossa memória, geralmente de forma tão doce e acalentadora, não é a letra inteira, os nomes, as datas etc… E sim o sentimento, a sensação, enfim, a forma como nosso eu espiritual reagiu ao “recado” do Deus irmão.

Entendo comunicação como uma “ação” “in” “comum”. Uma via de mão dupla. Um processo que só se completa quando a mensagem emitida é recebida e provoca uma reação. Se alguém disse “olá” e outro alguém ouviu, teoricamente, houve uma comunicação. Teoricamente, pois o receptor terá ouvido um som. Se não falar a mesma língua, provavelmente não entenderá exatamente o que foi dito. Mas o som ouvido vai provocar alguma reação. Quando essa reação se manifestar, seja uma virada de rosto, um apurar dos ouvidos, uma fuga silenciosa, um susto, ou enfim, uma resposta na mesma linguagem, aí sim na prática ouve uma comunicação.

Voltemos a canção do padre Zezinho: “Todo bíblia é COMUNICAÇÃO”. Isso comprova o que outro poeta, o projeta Isaías deixou escrito na bíblia (a Comunicação do Deus Amor): “Porque assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.” (Is 55.10-11)

Profetas, poetas, mensageiros, mestres, clérigos, leigos, seres humanos, enfim, em cada um de nós a mensagem provoca uma reação. Se você compartilhar a sua resposta, estará mostrando como foi que Deus tocou em seu coração. A sua reação está ligada com a parte de Deus que habita em você e que pode complementar a parte de Deus que habita nas pessoas de sua família e comunidade. A sua resposta quase natural no processo de comunicação pode ser essencial para outro irmão, que certamente terá uma outra resposta, igualmente reveladora da obra do Grande Arquiteto do Universo.

Se a parte do Universo onde habitamos está em ruína, talvez nós ainda não tenhamos captado a mensagem exata do Grande Arquiteto, para a restauração de nosso ambiente para o bem de todos. Pensemos em fazer a terra brotar, em dar semente ao semeador e pão ao que come. Pensemos em completar a comunicação dentro do propósito do Deus Comunicador.

Eis aí a importância dos ministérios cristãos, das pastorais e comunidades de base. Eis a grande importância dos meios de comunicação que temos hoje à disposição dos cristãos. Eis a importância das mídias como esta Folha Diocesana, da Rádio Vida Nova FM e do esforço da Pascom e da Catequese no sentido de se renovar e se preparar para o uso de novas tecnologias.

Cabe a cada um de nós participar, interagir, apoiar e além disso incentivar os meios de comunicação da Diocese, pois como já dizia o midiático Chacrinha, “quem não comunica se trumbica”.

Evandro José de Alvarenga

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