Adaptação e readaptação na volta às aulas

* Por Edivoneide Andrade

Muitas crianças, sejam elas marinheiras de primeira viagem ou veteranas, apresentam resistência em retornar à rotina escolar. Diante desse comportamento, os pais devem ter uma postura precisa para evitar possíveis traumas e transtornos futuros. O segredo é dialogar, pois quando há uma conversa franca entre pais e filhos, esta atitude evita problemas com os pequenos, principalmente com aqueles que estão ingressando, pela primeira vez, na escola e requerem uma atenção especial por parte dos seus genitores.

 

Para os estreantes, a atenção deve ser redobrada, afinal, o primeiro dia de aula, muitas vezes, pode trazer resistência se não tiverem sido preparados para encarar um novo ambiente com pessoas totalmente desconhecidas. A insegurança toma conta dos pequeninos, e, se os pais não souberem como os preparar, as consequências podem ser imprevisíveis. Os responsáveis precisam ser sensíveis e devem começar a estimular os filhos bem antes do início das aulas, falando para eles dos novos colegas, das “tias” (professoras), das brincadeiras, do que aprenderão no novo ambiente escolar. Se possível, é muito válido levá-los à escola antes do início das aulas, para que eles possam conhecê-la e se familiarizar com o espaço.

No primeiro dia de aula, as crianças devem ser acompanhadas pelos pais até o portão da escola, pois a presença destes faz toda diferença para elas. Na falta deles, é preciso a companhia de alguém com quem a criança se sinta bem e segura. Sabemos que, nos primeiros dias, principalmente para os iniciantes, há um o choro incontrolável de alguns que deixam os pais de coração partido. O período de adaptação é assim, cheio de dúvidas e receios. A impressão é que os pais sofrem tanto quanto os filhos ou até mais que eles.

Para os pais se acalmarem, é preciso ter plena confiança na escola que escolheram para o filho. Vale trocar experiências com outros pais e ter muita paciência, pois o choro, nos primeiros dias, é normal, principalmente para os pequeninos. Eles enfrentarão mudanças de ambiente, de pessoas e de comportamentos, o que pode gerar neles insegurança e ansiedade.

Por isso, pais, aguentem firmes, porque vai valer a pena. Não cedam ao choro nem chorem na frente da criança. Na maioria das vezes, o que gera a ansiedade no filho é a insegurança dos pais ao deixá-lo naquele novo ambiente. Sejam confiantes, acreditem na escola e no corpo docente que é preparado para lidar com essas situações.

Muitas vezes necessária, a troca de escola é outra mudança difícil. Os pais precisam preparar a criança para a mudança que está por vir, ouvindo-a e buscando conhecer seus medos, suas expectativas e seus receios. Depois do diálogo e até das possíveis resistências do filho perante a mudança, é importante que os pais exaltem os pontos positivos da nova escola, como os novos amigos, a nova professora, as atividades que serão realizadas, mostrando-lhe que a troca trará também coisas boas para ele, e não somente perdas.

É de suma importância que a criança tenha conhecimento do real motivo pelo qual está trocando de escola. Desta forma, os pais já começam a trabalhar com o filho que “durante toda vida terá que se submeter a mudanças”.

Se a dinâmica da volta às aulas, for bem direcionada, poderá gerar bons frutos, ajudando no processo de formação infantil. De um modo geral, a volta às aulas é sempre um momento de ansiedade para todas as crianças, pois implica em ter horários pré-estabelecidos e voltar ao ritmo normal das atividades.

Muitas crianças passam as férias sem horário certo para acordar ou dormir, o que gera nos pais um grande questionamento sobre o que fazer para que elas levantem cedo e bem dispostas no início do ano letivo. Recomenda-se que a rotina de horários volte a ser aplicada uma semana antes. Na semana anterior à volta às aulas, os pais devem se preocupar em readaptar seus filhos aos horários de acordar e dormir que serão seguidos durante o ano inteiro, sendo que este processo deve ser feito aos poucos, para não estressar nem deixar a criança ansiosa. Acordar seu filho um pouco mais cedo e colocá-lo para dormir um pouco antes, todos os dias, vai ajudá-lo. E não esqueça: ao iniciarem a rotina escolar, pergunte ao seu filho como foi o dia dele quando estiverem voltando para casa. Procure saber detalhes, pois isso estimula a criança a voltar no dia seguinte.

Adaptação e a readaptação não são instantâneas, mas requerem bastante paciência e empenho, tanto dos pais quanto das crianças.
* Edivoneide Andrade é Psicopedagoga e missionária da comunidade Canção Nova, em Cachoeira Paulista (SP).

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