“Globalização da Indiferença”

Em seu artigo publicado na última edição da revista Caros Amigos o escritor Frei Betto falou sobre a “Globalização da Indiferença”. Ele pincelou a mesma expressão da fala do papa Francisco durante o encerramento do terceiro encontro dos movimentos populares no Vaticano realizado no mês de novembro.

Traduzindo a indiferença dos governos perante ao maior problema da humanidade – em níveis mundiais, o artigo menciona dados de relatórios da ONU – segundo os quais em 2015 as nações gastaram US$ 1,7 trilhão (um trilhão e 700 bilhões de dólares) em armamentos. Isso significa que o que o mundo gastou para fazer guerra, para proteger impérios, mercado e poderio econômico, seria suficiente para erradicar a fome no planeta. Frei Betto encerra o seu texto assim: “Recursos, materiais (dinheiro, tecnologia etc) e recursos naturais (terra, áreas ociosas etc) há de sobra no mundo. Deus criou a terra e, o diabo, as cercas. O que falta é justiça. E frente à globalização da indiferença, só resta aos militantes da utopia fazer a diferença na busca incessante de outros mundos possíveis.

É triste constatar a indiferença de prefeitos e vereadores em ralação aos grandes problemas e demandas de nossas cidades. Quantas vezes ouvimos as reticentes desculpas de que os caixas municipais estavam vazios pela falta de repasses federais, mas verificando  os portais da transparência dos governos estadual e federal, constatamos : dinheiro há. Recurso há. Falta é compromisso, competência, prioridade enfim, falta ações efetivas dos gestores.

Investigações feitas pelo MP deixam bem claro isso. Licitações superfaturadas e fraudadas. Caixa 2. Prisões e exonerações de membros de primeiro escalão do governo. Às vezes os esquemas são tão bem organizadas que os prefeitos conseguem convencer as Corregedorias do MP  afastando  temporariamente  promotores, que estão cumprindo honestamente com seus compromissos.

E nós? O que fazemos? Terão conseguido apagar o nosso desejo por justiça? Terão apagado a nossa vontade de lutar contra a corrupção?

Da mesma forma que falta ação fiscalizadora da Câmara, onde a maioria dos vereadores acaba anulando a ação dos poucos bem intencionados. Da mesma forma que falta ao povo buscar a informação correta e não se deixar levar pelas falácias e fazer sua parte cobrando seus direitos, ao cumprir seus deveres de cidadão. Se sou um militante da utopia, continuo tentando fazer a diferença e usando esse espaço nobre.

Sei bem que ao legislativo não cabe agir executando ações, nem transfiro aos edis o que é função do prefeito. Mas é impossível dizer que nos últimos anos, por causa da maioria de vereadores que só dizem amém, as Câmaras não tenham batido a nossa cara contra o muro. Quem não tem visão, bate a cara contra o muro….

Já cantou o velho Raul Seixas, mas não estou aqui só para tocar Raul… Muito menos para ficar calado enquanto essa gente sem visão de sua própria missão, leva a nossa cara de encontro aos muros… ou às futuras obras dos muros, que haverão de fazer das  cidades mais… sabe lá o que?

O fato é que indiferente a isso, como cidadão eu não posso ficar!

Exercer cidadania é um ato político, sim. Mas é antes de tudo um ato de humanização da política. Disso estamos carentes.

O que importa é que se inspirem, que fiquem alertas e jamais percam as rédeas do alasão da utopia que Deus colocou à disposição de cada um de nós. Simples assim! E a vida continua surpreendentemente bela, mesmo quando nada nos sorri…

Evandro Alvarenga

 

A Palavra do Pastor
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