O VELHO NOVO E O NOVO VELHO

 

Existem muitos idosos com espírito muito jovem, ao mesmo tempo, muitos jovens com espírito velho. Parênteses: idoso e velho são coisas diferentes, ainda mais com o advento dos grupos de terceira idade ou, como costumam dizer, melhor idade. Numa análise bem por cima, sem detalhes, não é a melhor idade por acaso. As experiências da vida, ainda não vivenciadas pela “galera”, são uma verdadeira escola. Tantos erros e acertos, derrotas e vitórias, sabores e dissabores ensinaram aos nossos avós e os lapidaram para chegarem aos 60, 70, 80 ou mais como os melhores vinhos do Velho Continente.

Na contramão, muitos garotos e garotas estão fazendo escolhas completamente equivocadas. Uma coisa é errar na tentativa de acertar – o erro que soma – outra é cometer o erro capital. A lista é grande. Para ficar em alguns exemplos: sedentarismo, consumo de bebidas antes do tempo certo, o sexo pelo prazer. Longe de moralismo (não é nossa intenção), muitos talentos em potencial foram perdidos devido a isso.

O principal erro cometido pelos garotos e garotas é a arrogância; o fato de pensarem saber tudo, desprezarem a voz da experiência. Os avôs e avós são uma enciclopédia aberta, disponível, perto de cada um. Uma hora ao lado deles não é só uma conversa, mas uma aula sobre vida. O conteúdo dos livros foi visto por eles ao vivo; são testemunhas da história, muitas vezes, personagens delas.

O tempo de vovós e vovôs, aposentados, cuidando (deseducando, como muitos dizem) dos netos, tecendo e jogando damas ficou no passado. Eles até fazem isso ainda hoje, mas estão mais ativos, altivos e proativos. Pensem: se nossos parentes e amigos jovens há mais tempo já eram espetaculares, nas condições atuais estão ainda melhores. Eles estão conectados, bem informados, apaixonados pela vida.

Infelizmente, em oposição, significativa parte da “galera” não está aproveitando bem a vida. Têm feito tudo de prejudicial em excesso; matando a capacidade de inovação, protagonismo e, pior, destruindo o futuro do planeta ao não se colocarem em condições de promoverem as mudanças tão necessárias à nossa casa maior.

Naturalmente sempre foi assim ao longo dos vários séculos das civilizações; alguns poucos se sobressaem porque procuram o autodesenvolvimento o tempo todo. As oportunidades batem à porta (a leitura de um artigo da Folha Diocesana) com frequência, muitos insistem em manter um velho e prejudicial preconceito. Um exemplo bem atual e bastante comentado nas últimas semanas: ele vai ocupar a Casa Branca como presidente dos Estados Unidos a partir de 20 de janeiro de 2017, tem patrimônio bilionário e, mesmo herdeiro de um pai também rico, teve como primeiro emprego vender jornais aos seis anos de idade. Donald Trump teve sim uma gorda herança, mas, antes disso, desbravou o caminho para conhecer o mercado e experimentar a carreira futura. Como ele soube multiplicar os 250 milhões de Dólares deixados pelo pai? Aprendendo a administrar tal quantia.

Obviamente teremos poucos Donald Trump, contudo, a todos é dada a oportunidade de multiplicar. Fica a recomendação para o final do ano: ter como propósito multiplicar sempre, começando pela vida das pessoas ao redor.

Juliano Nunes, jornalista

 

 

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