Iniciamos com a Oração inicial, preparada pela equipe responsável pela espiritualidade.
A voz de Deus Pai nos comunicou o dom da vida, chamou- nos não só a viver, mas a sermos pessoas. Deu-nos inteligência, amor e liberdade. Em nosso Batismo, pronunciou o nosso nome e adotou-nos como filhos e filhas, irmãos e irmãs menores de Jesus. Refletiu-se o Evangelho de Lucas 4,14-21 .
Finalizou-se com a oração do Ano da Misericórdia.
Após a oração, o tema “O resgate da experiência mistagógica dos primeiros séculos da Igreja para a evangelização e catequese atuais”, foi desenvolvido por Pe Hermes.
Pe Hermes disse que está tudo interligado. O Diretório Nacional de catequese, o Diretório paroquial, o Documento do papa Evangelium Gaudium …
Ele apresentou-nos o livro Mistagogia Hoje de Rosemary Fernandes da Costa, onde ele buscou inspiração para a preparação deste dia e disse-nos que, quando temos algo que não está dando certo, temos que retomar o caminho, como o profeta Jeremias.
Devemos resgatar o que foi bonito, o que deu certo e a experiência mistagógica dos primeiros séculos, deve ser resgatada.
O que é esta mistagogia? É a arte da iniciação.
Qual é a nossa identidade? Como estamos vendo a evangelização hoje? Estamos um pouco confusos, não é?
Qual é a identidade da nossa Evangelização atual? Existe uma metodologia que responda aos nossos anseios?
Precisamos de coragem para respondermos a estes questionamentos, pois a resposta exige mudança e mudança, nos assusta.
A resposta é a catequese mistagógica. Pedagogia do mistério. Deus é mistério, o verdadeiro mistagogo de nossa vida cristã.
Qual é a nossa proposta? A Catequese catecumenal, como caminho.
Alguns pontos do DNC , nº 31 diz que a Igreja existe para evangelizar. O kerigma é Jesus Cristo. Ele anuncia a salvação. Deus, que nos criou sem a nossa participação, não quer salvar-nos sem a nossa participação.
O que pregamos condiz com a nossa realidade?
Nossa catequese não está sendo um diálogo. Muito ativismo, estamos falando muito. Não estamos ouvindo.
Temos que conhecer a história, para superarmos as crises.
Mudanças de paradigma: a única certeza é que entramos numa era moderna. Estamos vivendo a pós- modernidade e isto traz mudanças.
Não podemos nos esquecer que somos humanos, não somos anjos.
Cada um hoje, cria o seu Deus. Vamos para lá e para cá… Estamos vivendo um momento de revisão ou resgate da tradição?
Estamos numa igreja de saída? Como disse o papa Francisco, nossa missão é evangelizar.
O processo entre o anúncio cristão e a modernidade nos conduz a um caminho de busca de conteúdos e estratégias na formação cristã, na adesão da fé e conversão.
Precisamos buscar conteúdo para termos condições para criarmos as estratégias necessárias, para vencermos os anseios e é na comunidade que se vive as experiências.
O que é ser humano? O que estamos fazendo neste mundo? De onde viemos? Para onde vamos?
A fé cristã nos faz reconhecer um propósito em nossa existência.Os quatro evangelhos já foram escritos .O quinto Evangelho está sendo escrito por nós.
Nossa catequese está transmitindo qual Deus? Até o material que eu uso, será que está transmitindo este Deus?
Encarnar e dialogar esta é a nossa missão.
A palavra que traduz o catecumenato é, caminho.
Atitude de crer.
Levar a pessoa a crer. Crer é o objetivo. Às vezes eu levo a pessoa a crer, num Deus intimista, mercado religioso. Crer em Deus é sair de nós mesmos.
Creder= cor + dere: dar o coração a alguém. Ter fé é uma entrega.
Fé não se dá de uma vez e sim por etapas. É um caminho marcado por etapas, paradas desvios… Isto é catecumenato, o amadurecimento da fé. E este amadurecimento acontece através de um processo.
A mistagogia como pedagogia da fé é introduzir a pessoa no mistério sagrado, que é Cristo. Todos somos mistagogos, pois temos a missão de introduzir pessoas e dentro deste processo há uma pedagogia própria, pois é preciso ver a história de cada um. A iniciativa é de Deus, “tudo é graça, diz São Paulo”, como dizemos na celebração eucarística, não somos dignos, mas participamos da comunhão porque Deus é bom, eucaristia não é um prêmio, mas iniciativa de Deus. A nossa catequese transformou a eucaristia em prêmio, acentuou-se “comungar a própria condenação” e desvirtuou-se a graça de Deus. Deus se revela através de Jesus – palavras, gestos, sinais – é preciso entendermos isto.
Jesus é o primeiro mistagogo. Ele é modelo. Ele é Caminho, verdade e vida.
Jesus Cristo é o educador da humanidade. A pedagogia de Jesus Cristo era a proximidade. Ele tinha uma palavra diferente para cada um, tinha critérios.
Jesus anunciava através de parábolas. É a partir de Jesus que a prática vai se desenvolver. O processo catecumenal tendo Jesus como pedagogo e seguindo seu exemplo, vamos continuar a missão.
O anúncio veio acompanhado pelo testemunho dos discípulos. Como era a evangelização apostólica? E e a nossa? Estamos evangelizando mais ou menos e formando seguidores de Jesus Cristo?
O Catecumenato também é para nós.
Catecumenato era uma forma de firmar as pessoas na fé. No Século III já era a prática catecumenal. O que valia mesmo no catecumenato, era o testemunho.
Padre Hermes ressaltou que catequese sob inspiração catecumenal é para toda a paróquia e para todas as pastorais.
Mistagogia como processo e o processo é contínuo.
Um discurso sobre Deus que não reflita na antropologia, seria a negação do Deus revelado em Jesus Cristo.
Tudo, sem amor, não é nada!
Na paróquia, como nós podemos introduzir na fé as nossas comunidades?
A redescoberta de um caminho privilegiado de iniciação à vida cristã é a busca de um novo rosto paroquial.
Foi através do catecumenato que a igreja melhor se configurou.
Para refletir : O modelo de paróquia hoje é adequado para a transmissão-iniciação na fé e para sua vivência?
Podemos nos alegrar , pois ao sairmos daqui podemos ter a certeza de que que estamos indo no caminho certo.
Ainda, no dia 29 à noite, Dom Jeremias se fez presente e presidiu o Lucernário
Foi um momento muito forte de espiritualidade.
“Jesus é a luz do mundo. Quem o segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida” (Cf. Jo 8, 12).
Nós somos felizes porque buscamos nos iluminar no grande Mestre Jesus. Ele nos convida a segui-lo, e permanecer no seu amor.
Às trevas segue a luz; à noite, a manhã: à tempestade, a bonança. Celebrar o Lucernário é reafirmar nossa esperança na manhã que nos aguarda.
Que este Lucernário, tenha ajudado a todos a não se esquecer a afirmação de Jesus no Sermão da Montanha: “ Vós sois a luz do mundo. Brilhe vossa luz diante dele.”
Senhor Jesus, luz do mundo derramai as sua bênçãos sobre todos os evangelizadores para que ouvindo e partilhando sua palavra possam crescer na fé.
Após o Lucernário, os catequistas se divertiram e ao mesmo tempo contribuíram com as obras da Pastoral Catequética.
Eliana Alvarenga