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A comunicação só existe quando a palavra não volta vazia

“Toda bíblia é comunicação de um Deus amor, de um Deus irmão…” Qual de nós não pode completar pelo menos a primeira estrofe desta canção? Até os cristãos menos reticentes como eu sei sabem!

Eu confesso que só recentemente soube que a música que tanto ouvi em celebrações religiosas é do poeta Padre Zezinho, mensageiro de Deus que várias gerações das 27 paróquias desta Diocese de Guanhães, aprenderam a ouvir e a respeitar. Muita gente quando vai meditar sobre um tema ligado à vida cristã, tem uma música na memória. Muitos não se lembrarão dela inteira, nem de toda a letra, quanto mais do autor.

Mas do foco central da mensagem – da comunicação divina que nos chegou através dela certamente todos saberão. Mesmo por que, cada um de nós a recebeu e reagiu a ela de acordo com sua maneira de ver e entender a vida. Ou seja, aquilo que volta a nossa memória, geralmente de forma tão doce e acalentadora, não é a letra inteira, os nomes, as datas etc… E sim o sentimento, a sensação, enfim, a forma como nosso eu espiritual reagiu ao “recado” do Deus irmão.

Entendo comunicação como uma “ação” “in” “comum”. Uma via de mão dupla. Um processo que só se completa quando a mensagem emitida é recebida e provoca uma reação. Se alguém disse “olá” e outro alguém ouviu, teoricamente, houve uma comunicação. Teoricamente, pois o receptor terá ouvido um som. Se não falar a mesma língua, provavelmente não entenderá exatamente o que foi dito. Mas o som ouvido vai provocar alguma reação. Quando essa reação se manifestar, seja uma virada de rosto, um apurar dos ouvidos, uma fuga silenciosa, um susto, ou enfim, uma resposta na mesma linguagem, aí sim na prática ouve uma comunicação.

Voltemos a canção do padre Zezinho: “Todo bíblia é COMUNICAÇÃO”. Isso comprova o que outro poeta, o projeta Isaías deixou escrito na bíblia (a Comunicação do Deus Amor): “Porque assim como descem a chuva e a neve dos céus e para lá não tornam, sem que primeiro reguem a terra, e a fecundem, e a façam brotar, para dar semente ao semeador e pão ao que come, assim será a palavra que sair da minha boca: não voltará para mim vazia, mas fará o que me apraz e prosperará naquilo para que a designei.” (Is 55.10-11)

Profetas, poetas, mensageiros, mestres, clérigos, leigos, seres humanos, enfim, em cada um de nós a mensagem provoca uma reação. Se você compartilhar a sua resposta, estará mostrando como foi que Deus tocou em seu coração. A sua reação está ligada com a parte de Deus que habita em você e que pode complementar a parte de Deus que habita nas pessoas de sua família e comunidade. A sua resposta quase natural no processo de comunicação pode ser essencial para outro irmão, que certamente terá uma outra resposta, igualmente reveladora da obra do Grande Arquiteto do Universo.

Se a parte do Universo onde habitamos está em ruína, talvez nós ainda não tenhamos captado a mensagem exata do Grande Arquiteto, para a restauração de nosso ambiente para o bem de todos. Pensemos em fazer a terra brotar, em dar semente ao semeador e pão ao que come. Pensemos em completar a comunicação dentro do propósito do Deus Comunicador.

Eis aí a importância dos ministérios cristãos, das pastorais e comunidades de base. Eis a grande importância dos meios de comunicação que temos hoje à disposição dos cristãos. Eis a importância das mídias como esta Folha Diocesana, da Rádio Vida Nova FM e do esforço da Pascom e da Catequese no sentido de se renovar e se preparar para o uso de novas tecnologias.

Cabe a cada um de nós participar, interagir, apoiar e além disso incentivar os meios de comunicação da Diocese, pois como já dizia o midiático Chacrinha, “quem não comunica se trumbica”.

Evandro José de Alvarenga

Folha Diocesana: 22 anos de caminhada

Nossa Folha Diocesana já tem maioridade: 22 anos de existência. Tenho aqui comigo, encadernadas em três volumes, as 75 edições dos sete primeiros anos desse veículo por mim idealizado.

Em fevereiro de 1995, a Folha nasceu na Paróquia de S. João Evangelista para ser um informativo paroquial. Tinha o formato de ofício e um conteúdo de quatro páginas, rodadas na Gráfica Marília, de Guanhães. Alguns padres gostaram da ideia do informativo e sugeriram que ele fosse estendido à Diocese. E assim, após duas edições paroquiais, em março de 1995 veio a lume a primeira edição diocesana, com o nome Folha Diocesana. Aquelas páginas, ainda em formato ofício, traziam, em vários artigos, a notícia do falecimento de Dom Antônio Felippe da Cunha, SDN, primeiro bispo da Diocese de Guanhães.

A quinta edição, em setembro de 1995, foi em formato tabloide, com quatro páginas. E nesse formato, até a edição nº 16, foi impresso na Gráfica Marília. A partir da 17ª edição, em abril de 1997, foi editada em Belo Horizonte, no mesmo lugar até os dias atuais. Ganhou oito páginas a partir da 19ª edição.

Além de seu fundador, a Folha contou com o grande apoio do Pe. Saint-Clair Ferreira Filho, pároco de Guanhães e Administrador Diocesano. Dom José Heleno, Administrador Apostólico da Diocese, deu apoio moral e financeiro para o informativo, que contou também com o apoio indispensável do Pe. Adão Soares de Souza. Dom Emanuel Messias viu no informativo uma grande importância e, por isso, foi um incentivador indispensável. É difícil dizer quem apoiou mais. Os acima citados foram os primeiros, os que ampararam os primeiros passos do informativo tão importante, quase poderíamos dizer “necessário” para informação na Diocese, e não deixa de ser também uma forma de registro histórico dos trabalhos realizados na Diocese.

Pe. Ismar Dias de Matos

GRITO DOS EXCLUÍDOS, O QUE É?

 

“O povo sai às ruas no dia 7 de setembro, dia da Pátria, em manifestação de animação e profecia para gritar por Vida Digna. O Grito brota do chão e tem o rosto de cada realidade. Objetiva ‘valorizar a vida e anunciar a esperança de um mundo melhor, construindo ações a fim de fortalecer e mobilizar pessoas para atuar nas lutas populares e denunciar as injustiças e os males causados por este modelo econômico excludente, que degrada e mata’. O Grito não tem ‘dono’, não é da Igreja, do Sindicato, da Pastoral; não se caracteriza por discursos de lideranças, nem pela centralização dos seus atos; o ecumenismo é vivido na prática das lutas, pois entendemos que os momentos e celebrações ecumênicas são importantes para fortalecer o compromisso”. (Adaptado-CNLB). “O retrocesso de direitos conquistados, com reformas que priorizam o mercado e não as necessidades do povo, voltadas para resolver a crise econômica no país não nos pode parar”.

Por mais complexa e desafiadora que seja a situação atual, precisa provocar em nós, cristãos leigos e leigas, a solidariedade, a organização popular na luta por nossos direitos. Cresce em nós o desencanto com a política e com os políticos. Sentimos acuados, desprotegidos diante de tantos “desmandos”. Entretanto, não podemos abrir mão de nossos sonhos e compromisso, à luz da fé, com a defesa da vida, da dignidade da pessoa humana e promoção do bem comum.

 

Mariza Pimenta Dupim,

PASCOM DIOCESANA, Guanhães.

Por que tanta ansiedade?

Para muitos, o dia começa bem cedo, às 5h da manhã, ou talvez um pouco mais tarde, às 6h, às 7h. Mas, o fato é que as atividades do dia a dia têm gerado um comportamento diferente de antigamente: a ansiedade!

Levantamos com pressa, agitados, preocupados, muitas vezes já repassando na cabeça as atividades que estão por vir. E, ao final do dia, fazemos a mesma coisa antes de dormir. Deitamos pensando em tudo o que foi feito, o que deixamos de fazer, mexemos no celular, planejamos o dia de amanhã e ainda queremos não apresentar nenhum sintoma físico e psíquico. Claro que se organizar mentalmente para as atividades é um exercício excelente! Porém desde que feito com equilíbrio, sem pressão e cobrança.

Diante desse cenário, será que o corpo e a mente suportam tudo isso por muito tempo, sem manifestar nenhuma reação? Não! Muitos brasileiros sofrem algum tipo de transtorno de ansiedade e nem percebem. Seja porque se tornou comum ser ansioso ou porque não se tem tempo nem mesmo de olhar para o que está acontecendo consigo.

Atualmente, na América Latina, o Brasil é considerado o país com maior taxa de pessoas com transtorno de ansiedade. Este dado foi apresentado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em fevereiro deste ano. De acordo com a OMS, 9,3% dos brasileiros vivem com algum tipo de transtorno de ansiedade. Líder no ranking, o Brasil se supera as taxas indicadas nos demais países da região, que tem o Paraguai em segundo lugar, com 7,6%, e em terceiro o Chile, com 6,5%.

Tudo isso porque o ser humano tem sido impulsionado a dar sempre uma resposta correta e imediata diante das pressões recebidas. Isso já começa cedo, com nossas crianças. Com frequência, ouvimos pais falando das necessidades de seus filhos e assumindo o seguinte discurso: “criança precisa fazer esporte, estudar e ter aula de língua estrangeira, se quiser ser alguém no futuro”. E assim, preenchem a agenda dos pequenos com responsabilidades que são saudáveis, mas que juntas e com cobrança de um ideal, se tornam nocivas. Desta forma, o ser humano vai sendo moldado para um mundo urgente, no qual as respostas precisam ser corretas e imediatas.

Você sabia que ansiedade, a grosso modo, é medo de algo que não existe, mas gera sensações reais? É como se olhasse para um gato deitado, dormindo, inofensivo e enxergasse um leão faminto pronto para atacar. A situação real é uma, mas a forma de ver o problema e as situações cotidianas da vida é outra.

Ao longo da vida, vamos construindo verdades sobre nós. No entanto, essas verdades podem ser saudáveis ou não. A questão é, quando essas ideias sobre si mesmo não são saudáveis, e ficam expostas a este mundo agitado, exigente, que espera uma resposta constantemente. Aí, o que existe de pior em nossos pensamentos vem para fora.

Por que tanta ansiedade? Porque nossos medos mais secretos vão sendo “cutucados” e, quando menos esperamos, nosso corpo reage com suor, calor, dor de barriga, dor de cabeça, taquicardia e tantas outras coisas. O medo do fracasso, de não conseguir, de não suportar, de ser abandonado, rejeitado, desamparado, humilhado, entre outras ideias, assaltam nossos pensamentos, gerando um comportamento ansioso.

O mundo de hoje é exigente, nos expõe muito e descarta o que não serve. Todo esse movimento exige uma resposta que muitas vezes não é real e, por medo, violentamos nosso corpo e nossa mente para conseguir dar conta.

Entretanto, se permitir ser humano, real, alguém que não é medido pelo que faz, mas pelo que é, é um caminho saudável para dominar esse mundo tão ansiogênico. Seja gente, e não um super herói!

*Aline Rodrigues é psicóloga, especialista em saúde mental, e missionária da Comunidade Canção Nova. Atua com Terapia Cognitiva Comportamental; no campo acadêmico, clínico e empresarial.

Os efeitos colaterais da inveja: Uma reflexão

 

“A inveja incomoda a competência do invejoso”

(Côn. Manuel)

 

As Sagradas Escrituras oferecem grandes reflexões para quem quer usufruir de oportunidades pensantes na vida. Uma delas é o momento em que Jesus se encontra diante de Pilatos. O capítulo 27 de Mateus é proeminente, sobretudo, quando relata o sentimento do Governador: “Pois ele sabia que o tinham entregue por inveja” (Mt 27, 18). O texto bíblico pode ser ainda lido e rezado em Marcos 15, 2-15; Lc 23, 2-5.13-25; Jo 18, 28 – 19,16. Aqui temos um nítido e absoluto efeito colateral da inveja. O que Pilatos quer expor é que: “As acusações que os sumos sacerdotes e os anciãos aduziam contra ele (Jesus)” (Mt 27, 12), nada mais era que a ação do império da inveja sendo levado a sério em todas as circunstâncias. Este grande mal não escolhe a pessoa. O que mais almeja é vê-la aprisionada aos desejos alheios, gerando todas as possíveis conquistas, para que ela não tenha como buscar o que deseja com suas próprias forças. Pilatos tentou salvar o Mestre: “Em cada festa, costumava o governador soltar para a multidão um prisioneiro” (Mt 27, 16 – 18), mas não conseguiu livrar Jesus. Eis, pois, que a inveja quando entra nos sentimentos da pessoa se encarrega de organizar todos os sintomas possíveis, com a finalidade de martirizar, machucar e incorporar os conceitos, para falsamente, se lisonjear com o prazeroso dever de exercitar a maldade latente numa idéia de que sempre vai conseguir vitória, triunfar e levar vantagem sobre o que quer. Daqui emergem palavras, comentários e sentimentos, que quando atingem o mais alto da pessoa, a consciência, querem obter o êxito a qualquer custo.

Mais do que um sentimento, a inveja, é algo, que aos poucos vai deformando a pessoa. Ninguém gosta de ser identificado como fariseu ou doutor da lei. A ação da inveja pode estar entre os que estão perto ou longe. Cada passo que damos buscando nosso objetivo com dignidade, trabalho, esforço, pode estar sendo observado por quem almeja e não consegue. Esta é a triste realidade de quem cai nas garras da inveja. Seu eu fica deformado, suas palavras, engordam pensamentos destrutivos do porque ele (ela) e não eu. Sua ânsia acalenta a notícia de que o outro (a) não conseguirá. O sorriso, embutido dentro de uma raiva, sobe ao pódio para aplaudir a considerada vitória do eu consegui. Nesta metodologia chegamos às palavras de Francisco Quevedo: “A inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come”. Vejam a maldade dos sumos sacerdotes e anciãos ao “incitarem as multidões para soltar Barrabás e fizessem perecer Jesus” (Mt 27, 20). Sabemos que a inveja não parou nos fariseus e anciãos. Na sociedade atual este malefício está ocupando o coração de muita gente, abrindo valas de grandes superfícies fazendo nascer lesões na vida pessoal e espiritual, passando até mesmo despercebida como pecado, consumindo quem a hospeda. Financiar a inveja, em si mesmo, só lucra quem nunca quer atingir com esforço próprio; quem alberga uma ambição do mais refinado nível de incompetência.

Este ruinoso sentimento gosta de nos comover com freqüência. Sua vitória é a de: “nos tirar a paz de espírito a saúde do corpo e destruir-nos como um câncer” (Pv 14, 30). Por isso: “não devemos ser orgulhosos nem ter inveja uns dos outros (Gl 5,26)”. O texto bíblico é muito claro quando solenemente revela: “a inveja é condenada pelo Senhor, é denominada como fruto da carne (Gl 5, 21)”. Geralmente tem sua origem em disputas insensatas originando “insultos e desconfianças maldosas” (1Tm 6.4), atingindo sempre o campo profissional ou pessoal (Ecl 4, 4). Seu contrataque preferido é o ciúme e ama se mostrar com um falso testemunho. Miguel Cervantes nos alerta: “A inveja vê sempre tudo com lentes de aumento que transformam pequenas coisas em grandiosas, anões em gigantes, indícios em certezas”. A inveja quer ver o outro descer os degraus e ter a certeza que chegou ao último. Neste ensejo, ela, se sente dona do pedaço. Seu terreno é intocável. No baú, reserva os mais belos enigmas de criativos pensamentos para se defender. Quer ter uma razão, argumentada, num alto preço, investindo na derrota do outro. Fala-nos Niceto Zamora: “Os ataques da inveja são os únicos em que o agressor, se pudesse, preferia fazer o papel da vítima”. Monitorando sua pedagogia de ação, a inveja torna a pessoa agressiva. Seu veneno é tão sutil que quando atinge a pessoa todo o corpo dói. Terminamos com o alerta Alberto da Brescia: “O invejoso se queima por dentro e por fora”. Não engrosses a fila dos invejosos. Lute por seus objetivos com fé, amor, lealdade e, sobretudo, com honra. Pense nisso.

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

 

Transfigurar e não desfigurar

 

É crescente a ladainha de murmurações que apontam para o declínio ético-moral e suas terríveis consequências na sociedade brasileira. Constatar essas decadências, em um quadro de análises pertinentes, com o propósito de buscar saídas e soluções é uma necessidade urgente. Mas, isso pouco ajuda quando os lamentos colorem de modo  cinzento e triste a marcha cotidiana da sociedade. A chama da esperança se apaga, mata-se a vida, a baixa autoestima toma conta do povo que perde a capacidade de reagir, importante fator para sair da crise.

Um processo avassalador que compromete a cidadania e atrasa ainda mais a indicação de soluções e novas respostas. O que se vê, infelizmente, é o deprimente jogo da compra de influências, com dinheiro de origem duvidosa, tornando ainda mais submissos aqueles que já não têm credibilidade e força moral. Os projetos e as propostas, até as que tratam das inadiáveis reformas, quando pensados sob a lógica estreita da mesquinharia, surgem acompanhados de suspeitas, pois parecem manter a mesma dinâmica: desconsiderar os mais pobres e manter privilégios. Assim, perdem a força para sustentar uma sociedade justa e fraterna.

Aqueles que deveriam representar o povo se deixam seduzir pelo dinheiro, submetendo-se cegamente a esquemas e propósitos contrários ao bem comum. Negociam os interesses de uma nação inteira, a exemplo da passagem bíblica sobre a venda de José do Egito, como escravo, por seus irmãos. Sem piedade, defendem, votam e adotam procedimentos e legislações que não corrigem os descompassos. Contrariam o que deveria ser o compromisso de quem representa o povo, inviabilizando as dinâmicas de uma cultura que possibilite a construção de um Brasil novo e diferente. Somente uma nação que preze a civilidade, o equilíbrio e seja caracterizada por uma cidadania qualificada será capaz de superar os descalabros da corrupção e a violência, absurdamente crescente.

Mas o processo vicioso é que vem conduzindo a sociedade à interminável ladainha de lamentos e a reações inconsistentes, sem a força inventiva e sem o altruísmo necessários ao surgimento de iniciativas grandes e pequenas, nos âmbitos privados e públicos, com força para dar novos rumos ao Brasil. Desse modo, instala-se um clima do “salve-se quem puder”, que alimenta conflitos, exercícios governamentais medíocres, desempenhos norteados exclusivamente por interesses próprios.

A reação necessária com força para deter os abusos de poder, os golpes, o cala-boca imposto à sociedade por medidas e funcionamentos inadequados à necessária correção de rumos, é muito mais exigente do que apenas garantir eleições. As respostas e saídas para as estruturantes correções que precisam ser feitas estão muito além de quaisquer índices da economia e sua desejada retomada, ou da simples substituição de nomes e de cadeiras nos governos e nas casas legislativas.  Nada disso tem a força transformadora que a sociedade brasileira precisa.

As soluções apontadas até agora, as saídas encaminhadas, as prospecções realizadas não apresentarão os resultados desejados enquanto cada cidadão não compreender que as grandes modificações e transformações devem começar na consciência de cada um. As pessoas pedem mudanças, mas não querem mudar.  É preciso recordar a fonte de referência anterior aos interesses e seduções que submetem a pessoa ao dinheiro, ao egoísmo e à ganância. Urge chamar a atenção de todos para que compreendam o sentido profundo de sua origem e de seu destino, ou seja: o coração de Deus. Do Criador, o ser humano é imagem e semelhança. A semente de cada indivíduo é divina, de Deus se recebe o dom de viver.

Por Deus se entra na experiência humana da vida com o desafio  de transfigurar o humano, adquirindo as feições amorosas e ternas do Deus da Vida. Vive-se para transfigurar o humano, dando a ele, nos gestos, palavras e atitudes, a expressão própria do glorioso e luminoso que está no Divino, de onde se vem e para onde se vai. Um entendimento na contramão da desfiguração crescente e decadente do humano, que reflete no rol das violências, dos roubos, das indiferenças, das incompetências configuradas na administração de processos, em que medíocres comandam, mesquinhos se agarram a lugares, obscurecidos continuam acomodados em sua nulidade,  interesseiros e amigos do dinheiro não enxergam novos caminhos.

Assim, a clareza da própria origem divina, com o exercício permanente da consciência afetiva de que Deus é a referência insubstituível para a modulação ético-moral do próprio coração, configurando atitudes cidadãs, é o único ponto de partida possível, caminho e horizonte para transfigurar o ser humano. Quaisquer outras opções resultarão na perda da única fonte inesgotável do amor verdadeiro, no distanciamento do sustento que, em graça e consciência, garante o cumprimento, pelo ser humano, da tarefa de divinizar-se no amor de Deus. Esse é o único caminho para se transfigurar e não se desfigurar.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

6º FESTIVAL DA MÚSICA CRISTÃ DA DIOCESE DE GUANHÃES: A GRANDE VENCEDORA É A MÚSICA COMO INSTRUMENTO DE LOUVOR A DEUS

No ano de 2.012 aconteceu o primeiro Festival da Música Cristã da Diocese de Guanhães. Uma ideia que nasceu de uma conversa na garagem da casa paroquial entre o Pe. Saint-Clair e o Músico-Cantor Robertinho Zier. Era o desejo do novo! Um incentivo aos artistas anônimos que traziam no coração muita fé e o desejo de expressar a sua gratidão e o seu amor ao Deus Uno e Trino através de Louvores e Ações de Graças, fosse cantando, tocando um instrumento ou simplesmente compondo um poema. Eu ainda não tinha chegado nessas terras! Dom Marcelo Romano, então Administrador Diocesano, autorizou a realização do Festival.

Os anos passaram e, com a Graça do Bom Deus, chegamos à sexta edição do Festival! Com isso novos músicos, cantores e instrumentistas foram surgindo. O Festival foi tomando corpo e passou a ser um dos eventos mais aguardados na região. Músicos e cantores de muitos lugares, de perto e de longe, das Minas Gerais e dos outros estados, têm marcado a sua presença ao longo destes seis anos. E a cada ano uma novidade. Os mais diferentes gêneros musicais vão marcando a sua presença na música Gospel, de modo que os expectadores e os ouvintes que acompanham pelas ondas do rádio têm a oportunidade de conhecer o diferente. É um acento Soul ou Rock, Rap ou Samba, Axé ou MPB, Pop ou Forró. É a música moderna e contemporânea a serviço dos Louvores a Deus! Certamente, nosso Deus está muito feliz vendo tantos filhos Seus colocando em prática um dom tão precioso dado por Ele, que é cantar ou tocar um instrumento. Desejo ver também, quem sabe no próximo ano, um lírico ou um erudito, uma early music ou uma música étnica. Novos talentos virão por aí! Fiquemos na torcida, motivando e incentivando o novo!

O Festival da Música Cristã traz outro elemento igualmente importante, que é o Ecumenismo. As mais diversas Igrejas Cristãs se fazem presentes para prestigiar os seus talentos que vêm cheios de fervor e fé para louvar a Deus e o Seu Filho Jesus Cristo. Os nossos irmãos Pastores e seus fiéis evangélicos já deixaram e continuam deixando registrada a sua marca. São sempre bem-vindos! Seja a música e o louvor a nos unir cada vez mais, de modo especial neste ano que fazemos memória dos 500 anos da Reforma Protestante; oportunidade que temos para rever a história, refletindo os erros e os acertos, sempre em busca da unidade.

No Festival da Música Cristã o grande vencedor é o Deus Trindade e a Bem-Aventurada Virgem, Mãe de Jesus Cristo! Vencedores são todos os que se apresentaram no espaço da nossa Igreja Catedral! Vitoriosa é a música, como instrumento de louvor! Sabemos que muitos ficam tristes porque não foram contemplados com a vitória. Todos que se apresentaram são vencedores! Deus viu o seu esforço e sua dedicação! Parabéns! Parabéns e gratidão à Pascom, à Radio Vida Nova FM, aos Patrocinadores e Organizadores, às Paróquias e seus Párocos e à nossa Querida Diocese de Guanhães!  Deus abençoe a todos!

 

+ Dom Jeremias Antonio de Jesus

Bispo Diocesano

Padre Saint Clair, um dos criadores e incentivador do Festival.

Dom Jeremias, bispo diocesano de Guanhães.

Editorial: “Cantar é próprio de quem ama”

Fechando o mês de julho com chave de ouro, pudemos desfrutar de mais um “Festival da Música Cristã”, que além de reconhecer e valorizar os talentos musicais, estimula novos talentos, a criação e difusão da música cristã, como também a integração das igrejas cristãs na missão de evangelizar por meio da arte.

A História de todos os homens e de todos os tempos mostra que sempre se associou a ideia de culto à música. Desde os antigos pagãos até às religiões mais modernas, se viu na música algo de muito natural nas manifestações religiosas e ao mesmo tempo algo de tão acima do espírito humano, que colabora para o contato com a divindade.

O homem é religioso e a música facilita o seu contato com o Divino. No Antigo Testamento, como também no Novo Testamento, verifica-se em muitas passagens que a música é a expressão mais natural e espontânea para as emoções mais sublimes. É também a “linguagem mais adequada” das manifestações religiosas. Talvez por isso o Apóstolo aconselhe os fiéis que se reúnem em assembleia para aguardar a vinda do Senhor a cantarem juntos salmos, hinos e cânticos espirituais (cf. Cl 3, 16), pois o canto constitui um sinal de alegria do coração (cf. At 2, 46).

Para Santo Agostinho, “Cantar é próprio de quem ama” (Sermo 336). Enquanto Babel representa a “confusão” – fruto da ânsia em autoafirmação mediante o poder, a arrogância e a soberba (Gn 11,1-9) –, Pentecostes significa comunhão de todos que se entendem a partir de Cristo; é linguagem da unidade e do amor. Por meio do Festival da Música Cristã, a Pastoral da Comunicação na Diocese de Guanhães, unida à Rádio Vida Nova, Paróquias da diocese e tantos outros parceiros, junta comunicação e arte promovendo “a música” que se torna “a linguagem” em que todos se entendem (At 2,8): católicos e evangélicos unidos para o louvor a Deus, aguardando a vinda do Senhor; superando a ideologia doutrinária. “A doutrina une, enquanto a ideologia divide”, disse o papa Francisco na homilia de 19 de maio deste ano, “advertindo contra aqueles que transformam a doutrina em ideologia”, os fanáticos.

Aproveitamos para parabenizar nosso bispo, Dom Jeremias Antônio de Jesus, que celebrou o quinto ano de atividade na missão de pastorear o povo de Deus no território da Diocese de Guanhães.

 

Padre Bruno Costa Ribeiro,

no editorial de Agosto da Folha Diocesana

Quando o silêncio fala mais alto. Uma reflexão

 

“O silêncio é um conselheiro, nunca decepciona”

(Côn. Manuel)

Jesus antes de chegar à grande oração do Pai Nosso, nos aconselhou: “Guardai-vos de praticar vossa religião diante dos homens para atrair os seus olhares” (Mt 6, 1). Em sua metodologia evangelizadora, diz o Senhor: “Quando orardes… entra no teu quarto fecha a porta e ora a teu Pai que está no Céu” (Mt 6, 5ss). O silêncio nos oferece todos os ingredientes para sabermos quem somos. Quem se apropria deste grande amigo, encontra segurança. Silêncio não é calar para agradar. Não é remoer uma frustração ou um ontem mal resolvido. Não é um ressentimento de um hoje que espera para dar o bote. Silêncio é a graça de pensar com calma. Refletir com maturidade. Abrir os caminhos da consciência. Valoriza os corredores dos sentimentos. Acalmar o coração. Com ele me encontro como gente. O silêncio nunca decepciona, é um conselheiro. Nele temos a maior resposta. É um grande terapeuta. Sua linha mestra nos dirige na mais persuasiva convincente sinfonia de dizeres tão acertados, que nem Beethoven, com seu grande dom para com a pauta musical, conseguiu ultrapassa-lo. Por isso, “o silêncio é um dos argumentos mais difíceis de rebater”, nos alerta Josh Billings. Esse grande amigo nas viagens da vida nos avisa: Nunca uses da brutalidade, da grosseria, ou de qualquer outro artefato para te defenderes. Oferece sempre como prêmio e grande maestria o silêncio de tua resposta. O santuário da consciência agradece.

Todos nós conhecemos as palavras do Evangelho de Lucas: “E Maria guardava todas estas coisas em seu coração” (Lc 2, 19). Na poltrona do silêncio, o diálogo nos convida a um elucidativo momento fugindo de todos os ruídos. Tudo que nos entope, levando-nos a uma obstrução, arrastando-nos a um entulho, parece dissolver-se quando a visita leve e suave do silêncio chega. Quantos esclarecimentos, dúvidas, novas luzes, nos abraçam neste momento proeminente da vida. Parafraseando Henry Thoreau somos levados a dizer: “O silêncio é a comunhão de uma alma consciente consigo mesma”. Este grande amigo envolve-nos numa confiança que só nossos sentimentos, consciência e coração, testemunham como ouvintes. Eis, pois, a grande maturidade do silêncio. O grande escritor Goethe, sem medo algum, nos acalenta de esperança quando diz: “É no silêncio que se educa o talento e na torrente do mundo o caráter”.

No agitado da modernidade pelos ventos da correria, defrontando-se com a velocidade da tecnologia, nosso mundo tornou-se uma pequena aldeia ajustando-se à conformidade dos rumores, ao bulício da vida. Esta dádiva, o silêncio, provavelmente, não combina com a realidade tão badalada embutida no mais eloqüente barulho e pressa que nos é acedido. Contudo, o silêncio para quem vivencia a verdade de seu valor, nos leva aos mais altos índices dos melhores diálogos que o ser humano possa ter. Já nos alenta Confúcio: “O silêncio é um amigo que nunca trai”. Quando tudo parece refutação, a angústia chega ao auge; quando as palavras se esgotam, o que se busca não se encontra, o silêncio se torna a melhor réplica. José Rodrigues Miguéis assevera: “Já tenho escrito que o meu silêncio é feito de gritos abafados. Mas a vida é apenas um arrendamento provisório, um parênteses entre dois insondáveis infinitos”. É isso mesmo, o silêncio sempre nos conduz a um bom caminho, a uma conclusão certa, um resultado que não machuque e, sobretudo, não deteriora a pergunta ferida. Deepak Chopra nos ensina: “Pratique o silêncio e você adquirirá um conhecimento silencioso. Neste conhecimento está um sistema computacional que é muito mais minucioso, preciso, poderoso do que qualquer coisa que esteja contida nas fronteiras do pensamento racional”. Faça do silêncio seu melhor amigo, sua melhor resposta e sua grande presença na realidade do teu Eu. Pense nisso.

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

230º Jubileu: Deus armou sua tenda entre nós!

 

De 13 a 24 de junho acontece em Conceição do Mato Dentro, Diocese de Guanhães, o 230º Jubileu do Bom Jesus de Matozinhos. Novamente a colina onde está o Santuário estará coberta com centenas de barracas, tendas onde habitarão milhares de romeiros que acorrem anualmente ao Bom Jesus. As ruas estarão repletas de visitantes, vendedores ambulantes, barraqueiros… uma transformação total! O coração da Diocese passa a bater em Conceição; para ali acorrem padres e bispo com um só desejo: ajudar o povo de Deus a encontrar a Palavra, a Eucaristia, a Misericórdia… a Paz!

Essa festa que ultrapassa dois séculos faz-me lembrar a festa judaica de Sucót, a festa das Tendas ou dos Tabernáculos, que acontece em Tishrei, o sétimo mês do calendário hebreu, e está prevista no Levítico (23, 33-36.39-43). Durante oito dias nossos irmãos judeus saem de suas casas e passam a viver nas tendas construídas ao redor da moradia, recordando o tempo da longa travessia do deserto, ocasião em que habitavam em tendas pobres que mostravam o céu. Celebram também, em Sucót, a festa da colheita, e agradecem a Deus os frutos da terra, plantados e colhidos com seu trabalho; agradecem também pela água necessária nos campos, no uso doméstico e no bem-estar em geral. No fim dessa festa, como nos relata o evangelista João, o Bom Jesus disse à assembleia de fiéis: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba; aquele que crê em mim, do seu interior brotarão rios de água viva” (Jo 7, 37-38).

Os romeiros do Bom Jesus, como os judeus na festa das Tendas (sucót), não celebram simplesmente, de maneira rotineira, uma festa do calendário litúrgico, mas colhem, durante as liturgias, as incontáveis bênçãos do céu que se abre sobre os peregrinos e transborda com grande fartura sobre cada um.

O Jubileu do Bom Jesus é a festa mais antiga da Diocese de Guanhães. Começou em 1787, com ordem do Papa Pio VI. Essa festa tem raiz bíblica (Lv 25, 11; Lc 4, 18), e trata-se de um tempo de perdão das dívidas, perdão dos pecados, redistribuição das terras, etc. Tempo de ação de graças!

Quando os judeus, na Festa das Tendas, saem de suas casas confortáveis e passam a residir na tenda, estão a exercitar a humildade, estão a relembrar o quanto a nossa morada na terra é passageira. Os romeiros do Bom Jesus nem sentem o desconforto das barracas, o desnível do chão, o frio, o trabalho que dá para tomar banho. Tudo isso é nada diante da alegria de rever os companheiros de jubileu e, sobretudo, a graça de estar aos pés do Bom Jesus e receber as bênçãos d’Ele.

Durante os oito dias da Festa de Sucót, as ruas de Jerusalém ficam mais iluminadas do que em dias normais. O comércio e todos os setores da cidade entram em clima de festa, na espera das copiosas bênçãos que hão de se derramar do Altíssimo. Durante os onze dias do jubileu do Bom Jesus, as ruas de Conceição do Mato, sobretudo as do entorno do Santuário, se transformam para acolher tanta gente, vinda de tantos lugares diferentes. No último dia, o dia da bênção solene do Jubileu, as incontáveis velas formam um mar de luzes na colina do santuário, feito um extraordinário pentecostes. O cheiro maravilhoso do incenso recorda a presença de Deus Misericordioso a abençoar seus filhos e filhas, lembrando-nos que Ele habitou entre nós. Deus realmente armou sua tenda entre nós (João 1, 1-18).

Pe. Ismar Dias de Matos, sacerdote diocesano, professor de Filosofia e Cultura Religiosa na PUC Minas, em Belo Horizonte. E-mail: p. ismar@pucminas.br

Corpo e Sangue de Cristo: Como surgiu.

“O maior homem do mundo é aquele que se coloca de joelhos diante do seu criador”

(Côn. Manuel)

A origem da Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. Ela foi instituída pelo Papa Urbano IV com a Bula ‘Transiturus’ de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após a Festa da Santíssima Trindade, que acontece no domingo depois de Pentecostes. Urbano IV foi o cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège na Bélgica, que recebeu o segredo das visões da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Juliana nasceu em Liège em 1192 e participava da paróquia Saint Martin. Com 14 anos, em 1206, entrou para o convento das agostinianas em Mont Cornillon, na periferia de Liège. Com 17 anos, em 1209, começou a ter ‘visões’, (que retratavam um disco lunar dentro do qual havia uma parte escura. Isto foi interpretado como sendo uma ausência de uma festa eucarística no calendário litúrgico para agradecer o sacramento da Eucaristia). Com 38 anos, em 1230, confidenciou esse segredo ao arcediago de Liège, que 31 anos depois, por três anos, será o Papa Urbano IV (1261-1264), e tornará mundial a Festa de Corpus Christi, pouco antes de morrer. Diante deste quadro o Conselho Episcopal Pastoral (Consep) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) após refletir sobre a realidade do Brasil em sua última reunião, dias 30 e 31 de maio, está convidado a todos para um momento de oração pelo Brasil, a ser realizada em todas as comunidades, paróquias, dioceses e regionais do país, no dia 15 de junho, data em que a Igreja celebra o Corpus Christi.

A ‘Fête Dieu’ começou na paróquia de Saint Martin em Liège, em 1230, com autorização do arcediago para procissão eucarística só dentro da igreja, a fim de proclamar a gratidão a Deus pelo benefício da Eucaristia. Em 1247, aconteceu a 1ª procissão eucarística pelas ruas de Liège, já como festa da diocese. Depois se tornou festa nacional na Bélgica. A festa mundial de Corpus Christi foi decretada em 1264, 6 anos após a morte de irmã Juliana em 1258, com 66 anos. Santa Juliana de Mont Cornillon foi canonizada em 1599 pelo Papa Clemente VIII. O decreto de Urbano IV teve pouca repercussão, porque o Papa morreu em seguida. Mas se propagou por algumas igrejas, como na diocese de Colônia na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada antes de 1270. O ofício divino, seus hinos, a seqüência ‘Lauda Sion Salvatorem’ são de Santo Tomás de Aquino (1223-1274), que estudou em Colônia com Santo Alberto Magno. Corpus Christi tomou seu caráter universal definitivo, 50 anos depois de Urbano IV, a partir do século XIV, quando o Papa Clemente V, em 1313, confirmou a Bula de Urbano IV nas Constituições Clementinas do Corpus Júris, tornando a Festa da Eucaristia um dever canônico mundial. Em 1317, o Papa João XXII publicou esse Corpus Júris com o dever de levar a Eucaristia em procissão pelas vias públicas.

O Concílio de Trento (1545-1563), por causa dos protestantes, da Reforma de Lutero, dos que negavam a presença real de Cristo na Eucaristia, fortaleceu o decreto da instituição da Festa de Corpus Christi, obrigando o clero a realizar a Procissão Eucarística pelas ruas da cidade, como ação de graças pelo dom supremo da Eucaristia e como manifestação pública da fé na presença real de Cristo na Eucaristia. Em 1983, o novo Código de Direito Canônico – cânon 944 – mantém a obrigação de se manifestar ‘o testemunho público de veneração para com a Santíssima Eucaristia’ e ‘onde for possível, haja procissão pelas vias públicas’, mas os bispos escolham a melhor maneira de fazer isso, garantindo a participação do povo e a dignidade da manifestação. A Eucaristia é um dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: ‘Este é o meu corpo…este é o meu sangue… Fazei isto em memória de mim’ (Lc 19,22). Porque a Eucaristia foi celebrada pela primeira vez na Quinta-Feira Santa. O Corpus Christi se celebra sempre numa quinta-feira após o domingo depois de Pentecostes. Com esta nossa pesquisa queremos demonstrar que o “maior homem do mundo é aquele que se coloca de joelhos diante do seu criador”. Quem conhece o repertório das canções, que evangelizam, do Pe. Zezinho encontra este pensamento, vale dizer: “por um pedaço de pão e um pouco de vinho”, que para nós cristãos é Jesus Cristo presente sob as aparências do pão e do vinho, com seu corpo, sangue, alma e divindade. São vários os textos bíblicos que testemunham a instituição da Eucaristia. Temos: Mt 26, 26-29; Mc 14,22-25; 1Cor 11, 23-26. A Igreja sentiu necessidade de realçar a presença real do “Cristo todo” no pão consagrado. Seja um apaixonado da Eucaristia. Pense nisso.

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof. do Seminário de Diamantina e PUC

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina (ALAD)

Membra da Academia Marial de Aparecida – SP

 

 

 

O Dia Mundial das Comunicações: O pontilhado e contínuo da linguagem

 

“Palavras são como o pêndulo do relógio, sempre trazem um novo tempo”

(Côn. Manuel)

 

Tenho refletido nas palavras da Sagrada Escritura, a Bíblia, quando dizem: “Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar” (Mt 10, 19) e ainda: “… não se preocupem com a forma pela qual se defenderão, ou o que dirão” (Lc 12,11-12) e, com segurança testemunha: “Permaneça em vós o que ouviste desde o princípio” (1Jo 2, 24). Ao ler o livro de Arcângelo R. Buzzi, Filosofia para Principiantes, deparei-me com este pensamento: “a linguagem sinaliza a realidade”. Acredito que aqui se concentra uma realidade que não é difícil se encontrar no nosso dia a dia. Ao decompor em suas partes a palavra sinalizar, observei que ela tem o objetivo de exercer a função de sinal. Comparando palavra e sinal, vi que, tanto uma como a outra, são necessárias ao ser humano. Andando por nossas estradas e ruas, vemos que existem, curvas e contracurvas, voltas e mais voltas. Na comunicação também é assim. Se devermos ter prudência nas estradas e ruas da vida, na comunicação não é diferente. Em qualquer estrada que transitamos, sempre encontramos a faixa contínua e a faixa pontilhada. A comunicação também tem estas faixas. A faixa continua diz que não devo ultrapassar, pois o perigo pode ser eminente. Quando falamos devemos ter em mente a faixa contínua. Não ofereça perigo para você e para os outros. Não ultrapasses acreditando que tudo vai dar certo. O perigo pode visitar sua consciência, sentimentos e coração. Quando pensamos que temos a maturidade da comunicação rodados na ‘quilometragem da vida’, cuidado, o perigo não escolhe seu ilustre visitante. Surpresas podem acontecer.

Nosso Arcebispo Metropolitano e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação de CNBB, Dom Darci José Nicioli, CSsR fez um pronunciamento / carta para motivar e bem celebrar com alegria o 51.º Dia Mundial das Comunicações. Diz Dom Darci José: “O Papa nos fala para comunicar a esperança e a confiança em nosso tempo. Eu sou filho de uma tradição da Vida Religiosa que tem as marcas de um intrépido comunicador do século 18, Santo Afonso Maria de Ligório. Ele era cuidadoso e considerava de fundamental importância a formação dos seus missionários. Formação humana e cristã. Eu creio que esse permanece sendo um ensinamento de grande valor: só conseguiremos comunicar a esperança se trouxemos uma expressão clara das razões mais profundas dessa mesma esperança! Por isso, nos cabe a tarefa, como comunicadores, de nos empenhar sempre, no estudo da Sagrada Escritura, do Magistério da Igreja e das belas expressões dos valores humanos presentes na literatura laica”.  Com voz profética o Arcebispo de Diamantina assegura: “O painel diário montado pelas Grande Mídia, agora ampliado pelas Redes Sociais, nos leva a crer, facilmente, que no mundo só existem canalhas, ladrões, pilantras e hipócritas. A realidade não é esta. Precisamos denunciar essa fraude. Há uma riqueza humana enorme e majoritária sendo vilipendiada pela Mídia e quase ignorada nas principais manchetes … nós, comunicadores, precisamos prestar mais atenção nessas pessoas de bem ainda que não tenhamos delas declarações bombásticas e nem gestos de celebridades”.

Eis, pois, que nossa exposição quer visibilizar a faixa pontilhada legalizada na ultrapassagem da comunicação. É uma analogia, mas vale. Tenho visibilidade e, conseqüentemente, posso chegar ao destino do que quero comunicar. Quem já não ouviu a ‘celebre’ frase: “tenho que dirigir para mim e para os outros”. E eu. Será que inspiro toda a confiança ao outro? Nenhum motorista tem confiança no outro. Por quê? O que o outro tem de tão inteligente ou de perigo que me faz estar de alerta na confiança e na prudência? O outro também pensa isto de mim? Pois é. Quando comunicamos, nossa linguagem ‘pontilhada’, oferece condições para expressarmos nossas vontades. Mas, quem está na minha frente? Até com esta dose de liberdade, preciso ter prudência. Por que as coisas têm de ser assim? Será que a comunicação não está em suas mãos? Isto pode ser visto nas seguintes pessoas: as de estopim curto; as que não levam desaforo para casa e, sobretudo, as que sempre querem ter razão. A linguagem destas pessoas, a qualquer hora, pode ser contínua e pontilhada. Cuidado!

Quem já não encontrou buracos na estrada e, automaticamente, desvia a direção com a finalidade de evitar um acidente de menor ou maior proporção? Por muito eficazes que sejam os sinais, os buracos atestam mais nossa capacidade de dirigir e, como consequência, nossa atenção. Os (as) fofoqueiros (as) da vida são como as estradas com buracos. São o perigo sempre vigente. A ilustre e solene vibração com que passam um comentário, uma notícia, um acontecimento ou um fato, com a seriedade de seus conhecimentos, vislumbra a inteligência e sua astúcia. Frases, como estas, identificam estas pessoas: “estou passando as coisas como eu ouvi”; “não estou acrescentando nada”; “a pessoa que me contou é de confiança” e… tantas outras frases. Cuidado! Não atrase a viagem de sua vida ouvindo estas pessoas. Elas gostam de ver o “pneu” furado nos outros. O desejo delas é chegar primeiro, nem que para isso tenham que pisar quem lhes rodeia. Aconselho. Ame sua consciência. Seja fiel aos seus sentimentos, respeite seu coração. Sinalize sua comunicação. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

 

Conselho de leigos e leigas?

“O que faz? O que faz? O que é? Quem pode participar?”

Leigos e leigas formam a grande parcela de cristãos que são chamados a viver a missão da Igreja na família e no meio do mundo. É para aprofundar sua vocação e missão na Igreja que lhe é destinada e também para entender melhor a sua identidade, o que é ser leigo, que os cristãos leigos e leigas se organizam em Conselho.

Os Conselhos de Leigos são organismos que buscam integrar os leigos e leigas dos movimentos, das pastorais, associações, inclusive os leigos e leigas que integram a organismos eclesiais (Políticos, profissionais liberais, intelectuais), daqueles que vivem sua vida comunitária numa paróquia ou comunidade, e dos que vivem sua fé cristã inseridos nas atividades da sociedade.

Os Conselhos de Leigos devem constituir-se como “sinal de comunhão e unidade”, “espaço de serviço”. Portanto, já na sua criação deve-se ter presente a importância do “acolhimento” a todos os segmentos leigos. Os Conselhos de leigos devem ser espaço para se trabalhar nossas diferenças, na busca do que temos em comum para o benefício de toda a Igreja.

A criação de um Conselho de Leigos e Leigas se dá de diversas formas, seja pela iniciativa do bispo diocesano, ou ainda pela disposição dos próprios leigos e leigas, que sentem a necessidade de se articularem para assim cumprir com mais eficácia sua missão batismal.  Fonte: CNLB – Conselho Nacional do Laicato do Brasil.

Na Diocese de Guanhães, a iniciativa de se articular a criação do CONSELHO DIOCESANO DE LEIGOS partiu de dom Jeremias Antônio de Jesus, bispo diocesano.

De 21 a 23 de abril próximo, leigos e leigas da diocese participarão da Assembleia Geral Ordinária, convocada pela presidência do CNLB-Regional Leste II, em Teófilo Otoni. A Assembleia e Encontro têm como tema “Leigos e Leigas nos tempos de Francisco” e o lema “Somos chamados a cuidar da Casa Comum” e possuem os seguintes objetivos: a) Celebrar a caminhada do CNLB Regional Leste II e; b) Aprofundar o estudo e propor formas de atuação na Igreja e na sociedade dentro da perspectiva da Ecologia integral: as relações com Deus, com o próximo e com a Terra.

(Continua nas próximas edições)

Equipe de Articulação para a criação do Conselho Diocesano dos Leigos da Diocese de Guanhães.

O culto de hiperdulia a Maria: O mês de Maio

“Eis aí a tua Mãe”

(Jo 19, 26)

 

Toda a Mariologia procede de um princípio fundamental baseado na Sagrada Escritura. O gesto mediante o qual Cristo confiou o discípulo à mãe e a mãe ao discípulo (Jo 19, 25-27) determinou uma relação estreitíssima entre Maria e a Igreja. A devoção e o culto mariano é um abandona-se aos planos de Deus, em Cristo, numa posição expressiva que indica relação com Maria. Por isso, a Igreja lhe dedica um culto todo especial, o da hiperdulia. A devoção a Maria favorece “a união imediata dos crentes com Cristo, ajudando a revelar, num certo modo, as supremas verdades da fé” (Lc 2, 19). A Igreja sempre nos ensinou que o culto que prestamos a Maria é um culto especial de veneração, hiperdulia. Sabemos que somente Deus é digno de culto e, somente a Ele são devidas as homenagens do homem e da mulher, como no-lo afirma São Paulo: “Só a Deus imortal, invisível e único sejam dadas honra e glória para todo o sempre. Amém” (1Tm 1,17). Todavia em homenagem ao mesmo Deus, honramos também os seus amigos mais queridos como os anjos e os santos. A esses, nós tributamos um culto de afetuosa servidão e devoção. Tal culto é chamado dulia, ou seja, simples serviço e veneração. É um testemunho da excelência dos santos, vale dizer, favor, serviço, benevolência, que lhes prestamos. Maria é “espelho” na qual se espelham de modo mais límpido “as grandes obras de Deus” (At 2,11). Daqui podemos entender que Maria, desde a sua adesão ao projeto de Deus, abraçou a obra do Filho e vem, insistentemente, derramando sobre a Igreja sua proteção maternal. Tanto Paulo como os evangelistas, procuram evidenciar a pessoa de Maria, não obstante o espaço a Ela dedicado.

Maria está presente nos momentos decisivos da vida de Jesus, desde a Encarnação até o da cruz. A função salvífica da sua maternidade divina e a santificação pessoal em Maria coincidem perfeitamente, de modo tal que a figura de Maria, em chave teológica, pode ser plenamente resumida na fórmula: Maria é a redimida de modo mais perfeito. Neste sentido, Maria na Igreja é venerada com um culto especialíssimo e mais solene do que se presta aos anjos e santos. É um culto de amorosa e filial reverência, que Jesus mesmo lhe prestou, por primeiro, aqui na terra, como no-lo afirma o evangelista Lucas: “Jesus voltou com José e Maria para Nazaré e lhes obedecia em tudo. Sua Mãe guardava todas as suas palavras em seu coração” (Lc 2,51). Através dos séculos, a Igreja, com amor sempre crescente, continuou a prestar-lhe esse culto que chamamos de hiperdulia, ou seja, de serviço e veneração preferencial. Desta proposição se deduzem os demais títulos marianos. Desde remota época a Igreja professa que Maria é sempre virgem. Esta verdade pertence ao patrimônio da fé. A Igreja, ao celebrar os mistérios da redenção, venera os santos, pela sua participação no mistério de Cristo. Entre estes santos sobressai de maneira única Maria, a Mãe de Deus e Nossa, pela direta ligação que tem com Jesus Cristo, seu Filho. Por isso, a dimensão do culto de hiperdulia na Igreja existe em virtude do lugar singular que a Virgem ocupa no coração dos cristãos.  Além dos cultos de dulia e hiperdulia, temos o de Latria, que compete unicamente a Deus e que se manifesta, principalmente, no reconhecimento de Deus como Supremo Senhor, em atos de adoração e no sacrifício.

Com esta explicação é fácil entender o culto a Maria no mês de maio. Esta nossa devoção, aliás, muito brasileira, consagrou, desde antigos tempos, o mês de maio ao culto a Nossa Senhora, Mãe da Igreja. Esta prática de devoção sempre foi motivo para muita gente se aproximar de Deus. Em nossas paróquias vemos grupos de vizinhos que se juntam para rezar o terço. Como é bonita esta devoção. Com esta prática religiosa vemos com clareza o que diz Pe. Zezinho: “Quem está perto de Maria, nunca está longe de Jesus”. Nos estudos e reuniões de grupo, hoje tão em voga nas paróquias, não se poderia aproveitar o mês de maio para estudar, conhecer e imitar Nossa Senhora? Enfim, não se pode omitir a tradicional e consagrada prática do Rosário de Nossa Senhora, oração popular que convém a todos e sempre recomendada pelos Papas. No término desta reflexão, gostaria de fazer uma referência toda particular à coroação de Nossa Senhora. É costume em muitos lugares fazer o encerramento do mês de maio com a festa da Coroação de Nossa Senhora. Nossas paróquias conservam esta tradição com muito esmero e carinho. O que vemos é uma homenagem singela, muito querida das crianças, que em procissão cantam, levam flores e expressam sua gratidão pelo amor materno de Maria. Podemos aprender com as crianças. Que nossas homenagens a Maria sejam sempre formas de culto de veneração a Maria. Que nossas procissões, ladainhas, novenas e coroações procurem inserir Maria Santíssima no mistério de Cristo e da Igreja. Maria é a chave para captar o sentido das coisas de Deus. Através do SIM de Maria à proposta divina de se humanizar, a ligou definitivamente a toda a humanidade. Maria faz parte do patrimônio da Revelação. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

 

As Reformas e os Direitos Sociais dos Trabalhadores no Brasil

 

Nesta semana comemoramos o Dia Internacional do Trabalhador, data que teve origem em um grande movimento de trabalhadores na cidade de Chicago, nos EUA, por melhores condições de trabalho no ano de 1886, fato que resultou na morte de dezenas de manifestantes. Desde então, o 1° de maio se internacionalizou como a data em que se rememoram as diversas lutas da classe trabalhadora pelo mundo.

Este ano, em especial, o Dia do Trabalhador no Brasil tem um significado maior, pois, estamos diante de um dos momentos mais críticos de nossa História no que se refere às ameaças de perdas significativas dos direitos sociais dos trabalhadores. A aprovação da Lei da Terceirização, juntamente com a aceleração dos projetos de Reformas das Leis Trabalhistas e Previdenciária, significa um duro golpe em conquistas históricas da classe trabalhadora deste país. Estas Reformas significam perdas reais de garantias legais, ao mesmo tempo em que deixaram os trabalhadores expostos à queda no rendimento salarial e desassistidos em momentos de maior vulnerabilidade.

A justificativa encontrada pelo atual governo ao promover essa usurpação dos direitos dos trabalhadores está na tão propagandeada crise. Sobre o pretexto da geração de empregos e do aumento da confiança dos investidores estão passando como um rolo compressor num acordo direto entre o executivo e o Congresso Nacional, ignorando por completo a sociedade brasileira. Pesquisa divulgada pelo Datafolha indica que 70% dos brasileiros são contra as reformas da maneira que estão apresentadas, portanto, algumas perguntas nos vêm: a quem interessa estas Reformas sem debate com a sociedade? Que garantias temos que com elas teremos geração de emprego? Qual a parte de sacrifícios da elite?

Para respondê-las não precisamos ser grandes conhecedores de economia e de algum outro conhecimento acadêmico, sabemos que quem pagará mais uma vez serão os pobres deste país. Enquanto na Reforma da Previdência não se toca nas anistias de dívidas e desonerações fiscais das grandes empresas, se impõe 49 anos de contribuição para um trabalhador ter integralidade ao benefício, ou a um trabalhador rural a idade mínima de 65 anos. Na mesma proporção, a Reforma Trabalhista coloca os acordos patronais com empregados acima da CLT, como se a relação Capital-Trabalho fosse simples e consensual em nosso país.

Diante do exposto, mostra-se necessária a mobilização popular na luta pela permanência e ampliação dos direitos da classe trabalhadora. A sociedade não pode ser deixada de lado destas proposições de reformas que afetarão diretamente o futuro dos mais carentes no Brasil. Várias instituições como OAB, a Igreja Católica, Tribunais de Justiça, têm levantado o debate e se posicionado contra as Reformas. Busque se informar e participe ativamente deste importante momento da História dos Direitos Sociais no Brasil.

 

Flávio Puff

Professor de História

IFMG/Campus São João Evangelista

FOI QUANDO A MÚSICA FEZ HISTÓRIA

Abril de 2012: 63 bandas inscritas. 72 músicas vindas de muitos lugares do estado de Minas Gerais e de alguns locais do país. Novembro de 2013: 39 bandas inscreveram 52 canções. E, de novo, chegavam a Guanhães músicas de muitos lugares. Agosto de 2014: Surpreendentes 28 bandas acompanhadas de 33 músicas. Agosto de 2015: 27 bandas compuseram o quadro geral. 35 músicas foram compostas cuidadosamente por músicos de várias regiões de MG. Julho de 2016: 19 bandas trouxeram 27 presentes. Cada um foi cuidadosamente aberto. Cada presente-música nos enchia da certeza de que o Festival da Música Cristã é o maior exemplo da bondade de Deus.

Perdoem-me os mais “durões”. Os números acima contam uma história de amor, de coragem, de perseverança. O sonho de ouvir a música cristã entoando, sem barreiras, por todos os cantos da cidade de Guanhães. Tudo bem! Vou contar como esse sonho surgiu. Quem o plantou, regou, cuidou, fez até vigília para não permitir que alguma erva daninha sufocasse o florescer contínuo. A história do Festival da Música Cristã se mistura à vida do Padre Saint-Clair, Padre Adão Soares, Célio Augusto, Edneia Pereira, Fabiana Martins, Luís Carlos, Mariza Pimenta, Marina Carvalho, Meire Ane Caldeira, Robertinho Zier, Sidimar, Taisson Bicalho… Você pode me perguntar: “Não é injusto, Luís, citar nomes”? Respondo: “Não, não é”. Essas pessoas aqui citadas transformaram o sonho do padre Saint-Clair de realizar um festival só com músicas cristãs uma realidade.

Meu Deus! Quantos músicos já passaram pelos palcos da Música Cristã?! Quantas pessoas conhecemos ao longo desses seis anos?! Quantas vezes estávamos ansiosos, na madrugada, aguardando resultados? Como já nos alegramos com cada conquista?! Já até choramos quando bandas foram desclassificadas! Ninguém sabe disto: todas as músicas cantadas ali contam a história de fé, de relação com Deus, de redenção vivida pelos músicos e cantores.

No palco da Música Cristã passam testemunhos de fidelidade a Cristo e comunhão com a Igreja. Ah! E não estamos nos referindo apenas aos cristãos católicos. Evangélicos (neo)pentecostais e protestantes comungam conosco da mesma fé religiosa. O Festival da Música Cristã constitui a celebração anual da fé fora das igrejas. Nosso maior objetivo é promover a comunhão por meio da arte. E temos conseguido. Ou melhor. Opa! Opa! Deus tem nos proporcionado, porque é Ele quem permite a realização de tudo (eu creio), dar testemunho de tão sublime ato de amor.

Peço desculpas aos que leem este texto. Vocês não podem exigir de mim coerência textual. O que descrevo/escrevo são memórias. Como não se lembrar do padre José Adriano cantando: “Hei!, cantai ao Senhor um cântico novo…” Todo mundo se lembra dessa linda composição do Padre Zé, não é? Como não se lembrar da presença marcante do padre Dilton Maria Pinto e do Fernando Araújo? Nesse percurso, os dois anunciaram 176 bandas mais 219 músicas que incendiaram, emocionaram, resgataram esperanças, confirmaram a certeza do amor de Deus por todos nós!

Estamos mais uma vez nos preparando para o Festival da Música. 2017 marca o 6º ano deste evento promovido pela Pastoral da Comunicação (Pascom) da Diocese de Guanhães.. Sozinha a Pascom nunca esteve. Os apoios foram muitos. A Rádio Vida Nova FM, com presença constante dos profissionais da emissora, anuncia o Festival para milhares de pessoas em todos esses anos. Sempre recebemos o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil no Regional Leste 2 (CNBB Leste 2). Já recebemos apoio de rádios da região, da Associação Comercial e Empresarial de Guanhães (Acig), da Gráfica Candonga, das paróquias da Diocese etc.

Como temos feito nesses anos, pedimos a dom Jeremias Antônio de Jesus, bispo diocesano e apoio incondicional do Festival, a bênção de Deus sobre todos os participantes deste evento. Nossa fé afirma que o Senhor Jesus está conosco e que o Espírito Santo garante a comunhão entre os filhos e filhas do Pai.

O 6º Festival da Música Cristã ocorrerá entre os dias 28 e 29 de julho, no pátio da igreja catedral, em Guanhães. Não deixe para a última hora. Realize as inscrições. Venha cantar conosco!

Acesse o site www.festivaldamusicacrista.com.br para mais informações.

Fraternalmente,

Luís Carlos Pinto

 

A festa da misericórdia de Deus. Uma reflexão

 

“A paciência de Deus é a sua misericórdia”.

(Papa Francisco)

 

A festa da Divina Misericórdia se celebra no Segundo Domingo da Páscoa, no tempo solene que se segue ao Tríduo Pascal. Este culmina com o último dia da oitava da Páscoa, ao abrir-se ao amor e louvor da misericórdia divina. Sua Festa, na Igreja, quer exteriorizar a espiritualidade de sua divina misericórdia. Sua instituição aconteceu no Jubileu do ano 2000, quando o então Papa e, hoje, São João Paulo II, ao canonizar Santa Faustina, declarou: “de agora em diante na Igreja inteira tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia” (30.04.2000). A liturgia deste Domingo nos consola ao proclamar: “Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!‘Eterna é a sua misericórdia!’ (…) Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos!” (Sl 118, 1.24). Por isso, sempre me fizeram pensar a palavras da carta aos Hebreus, ao proferirem: “Cheguemo-nos, pois, com confiança ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno (Heb 4,16). Pedro afirma: “Pense na paciência do Senhor, como sua oportunidade de ser salvo”. (2 Ped 3, 15). O Salmo 103: 8, 10-14 é direto: “Compassivo e piedoso é o Senhor, lento para a cólera e abundante em amor, não nos trata segundo nossas iniqüidades”. (…) “Pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; pois ele conhece a nossa estrutura, e se lembra de que somos pó”. A misericórdia sempre nos leva a reencontrar nossa dignidade. Só a misericórdia de Deus salva e perdoa. Veja o que diz Pe. Sopocho: “Um fator decisivo para a obtenção da misericórdia Divina é a confiança em Deus, sem hesitações nem fraquezas”.

A Sagrada Escritura tem as orientações necessárias a quem quer vivenciar e acolher a misericórdia de Deus. São muitas as parábolas, episódios e narrações que nos levam a pensar que o Pai sempre quer fazer a festa e jamais a história do pecado (Lc 15, 11 – 32). Eis a razão de recorrermos à misericórdia de Deus. A misericórdia não quer exaltar o pecado, mas quer festejar o retorno ao coração do Pai (Lc 15, 11-32).  Já nos diz Santa Tereza d’Ávila: “Uma prova de que Deus esteja conosco não é o fato de que não venhamos a cair, mas que nos levantemos depois de cada queda”. O pecado nos deixa sem rumo e até perplexos. Ficamos perdidos em nossa existência humana e cristã. Desequilibramos-nos perante a consciência e os sentimentos. Tudo o que fazemos parece não dar certo. O pecado se delícia em nos ver abatidos, tristes, inertes e, sobretudo, vazios em nossa personalidade, caráter e maneira e ser. O pecado é como a laranja lima, doce no começo, amargo no final. Lembre-se que nem sempre o relógio da vida te presenteia com a hora certa. O pecado te confunde com os minutos fazendo deles horas inteiras de arrependimento. As trila o pecado sempre nos leva a caminhos de amargura e tristeza. Lembremo-nos de Pedro (Mc 14, 66s; Lc 22, 54s; Jo 18, 15s). O pecado é como um tsunami arrasa a consciência, destrói a paz e deixa-nos num beco sem saída. Quem teima a ficar no pecado se fere e a qualquer hora pode ferir os outros. O Papa emérito Bento XVI nos alerta: “O pecado é sempre uma ‘droga’, mentira de falsa felicidade”. E ainda: “Sem orientação à verdade toda a cultura se desfaz, decai no relativismo e se perde no efêmero”. Por isso, temos O Sacramento da Reconciliação que sempre nos atualiza com Deus e conosco.

Uma atenta leitura da parábola da moeda perdia, abre o sentimento e clareia a misericórdia e (Lc 15, 8-10). É o sentido do prejuízo. Não existe nada pior do que ver o que conquistamos com tanto amor ser extraviado. A parábola fala de uma simples moeda. Isso demonstra que não é o muito que causa o desgosto, mas o dano que fazemos quando perdemos algo de precioso em nós. Uma palavra, telefonema, ofensa, desconfiança, traição… entre outros, podem trazer danos que para supri-los precisamos acender uma lâmpada, varrer a casa e procurar com cuidado até nos encontrar (Lc 15, 8). A lâmpada e o varrer nada mais é do que a misericórdia de Deus. São João Paulo II nos alerta: “Jesus é novidade de vida para quem abre o coração e, reconhecendo o próprio pecado, acolhe a sua misericórdia que salva”.  O Papa Francisco logo no inicio do seu Pontificado, disse: “Deus jamais se cansa de nos perdoar. Nós é que nos cansamos de pedir perdão”. “A paciência de Deus é a sua misericórdia”. O pecado gosta de nos ver na cruz. Não te esqueças que Jesus já morreu uma vez por todas na cruz e lá estava o meu e o teu pecado. Nunca te sintas abandonado. Você com Deus é maior do que o pecado. Os santos nos estimulam. Santo Afonso de Ligório, declara: “Deus é fácil e pródigo em usar de sua misericórdia para com todos e em  todos os tempos”. Santo Antônio de Lisboa, testemunha: “Misericordioso é aquele que tem compaixão da miséria alheia”. Santa Faustina, abre o coração e a mente da gente ao dizer: “Ó Jesus, o abismo da Vossa misericórdia derramou-se na minha alma, que é apenas o abismo da miséria”. Fazendo referência ao cardeal Walter Kasper, o Papa Francisco atesta: “A misericórdia muda tudo; torna o mundo menos frio e mais justo”. Recorra sempre à misericórdia de Deus. Diga a todo o momento: “Cantarei eternamente as misericórdias do Senhor” (Sl 89, 2). Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

Depois da Semana Santa: A Páscoa, a Eucaristia e a Ressurreição “Quem vive a Páscoa, ama a Eucaristia e anuncia Jesus Ressuscitado”

 

A riqueza espiritual da Semana Santa dentro das celebrações litúrgicas da Igreja, neste Ano Mariano, tem seu centro em Cristo. Cada ano se busca um novo vigor para revitalizar a vida dos cristãos para que permaneçam e caminhem no seguimento de Jesus (DA, cap 6). Todos vivem uma espiritualidade adentrando nos Evangelhos, vivendo as verdades da fé e o grande caminho para chegar ao Domingo de Páscoa. Cada um do seu jeito esforça-se para viver com gestos, palavras, oportunidades o que a humanidade jamais viu, os mistérios da Paixão Morte e Ressurreição de Jesus (Jo 18; 19; 20 e 21). Por isso, tenho pensado nas palavras de Jesus quando disse aos discípulos: “Desejei ardentemente celebrar esta Páscoa convosco” (Lc 22, 15). O Papa Emérito Bento XVI, comentando estas palavras nos diz: “Jesus inaugurou a celebração do seu último banquete e da instituição da sagrada Eucaristia. Jesus foi ao encontro daquela hora, desejando-a. No seu íntimo, esperou aquele momento em que haveria de dar-Se aos seus sob as espécies do pão e do vinho. Esperou aquele momento que deveria ser, de algum modo, as verdadeiras núpcias messiânicas: a transformação dos dons desta terra e o fazer-Se um só com os seus, para os transformar e inaugurar assim a transformação do mundo. A partir de Lucas e sobretudo de João, sabemos que Jesus, na sua oração durante a Última Ceia, dirigiu também súplicas ao Pai – súplicas que, ao mesmo tempo, contêm apelos aos seus discípulos de então e de todos os tempos”.

O Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium diz: “A alegria do Evangelho, que enche a vida da comunidade dos discípulos, é missionária (n.º21). Por isso, na Páscoa, o grande Aleluia, que vivemos, precisa ser alimentado na fé e atuar no amor (Gl 5, 6). A palavra Aleluia na sua etimologia quer nos anunciar o grande cântico de alegria e louvor, freqüente nos salmos, adotado pela Igreja na liturgia, no tempo da Páscoa. É a grande expressão do sentimento de felicidade, culminando com a vitória de Jesus, sua Ressurreição (Lc 24, 1ss; Jo 20 1ss). Assim, caminhamos para o grande dia, o primeiro da semana, onde vemos o alvorecer deste cântico de louvor (Jo 20, 1). Como Batizados remamos com nossos barcos lançando as redes mar adentro, desejando comunicar o amor do Pai que está no céu e a alegria de sermos cristãos, para que proclamemos com audácia Jesus Cristo a serviço de uma vida em plenitude para nossos povos, mormente, os que nos foram confiados. Com as palavras dos discípulos de Emaús e com a oração do Papa Emérito Bento XVI em seu discurso inaugural do Documento de Aparecida digamos sempre com uma prece dirigida a Jesus Cristo: “Fica conosco porque é tarde e o dia declina” (Lc 24,29). A Páscoa a Eucaristia e a Ressurreição do Senhor oferecem a nós estas palavras todos os dias. Quem vive a Páscoa, ama a Eucaristia e anuncia Jesus Ressuscitado. Assim, teremos luz, voz, perfume, alimento. Jesus deu-nos esta oportunidade de estar conosco. Nas operantes palavras do São João Paulo II chegamos ao coração dessas palavras: “Embora possa parecer escuro o horizonte da humanidade, celebramos o triunfo esplendoroso da alegria pascal. Se um vento contrário dificulta o caminho dos povos, se o mar da história se torna borrascoso, ninguém deve ceder ao pavor nem ao desânimo. Que vençam os pensamentos de paz!”. Nunca desanimemos. Jamais olhe para baixo e para trás.

A Páscoa a Eucaristia e a Ressurreição do Senhor contêm todos os elementos seguros e autênticos para olharmos para frente, mesmo que as intempéries da vida nos desafiem. O Papa Emérito Bento XVI ao falar de Pedro nos diz: “Todos os seres humanos, à exceção de Maria, têm continuamente necessidade de conversão. Jesus prediz a Pedro a sua queda e a sua conversão. De que é que Pedro teve de converter-se? No início do seu chamamento, assombrado com o poder divino do Senhor e com a sua própria miséria, Pedro dissera: ‘Senhor, afasta-Te de mim, que eu sou um homem pecador’ (Lc 5, 8). Na luz do Senhor, reconhece a sua insuficiência. Precisamente deste modo, com a humildade de quem sabe que é pecador, é que Pedro é chamado. Ele deve reencontrar sem cessar esta humildade. Perto de Cesareia de Filipe, Pedro não quisera aceitar que Jesus tivesse de sofrer e ser crucificado: não era conciliável com a sua imagem de Deus e do Messias. No Cenáculo, não quis aceitar que Jesus lhe lavasse os pés: não se adequava à sua imagem da dignidade do Mestre. No horto das oliveiras, feriu com a espada; queria demonstrar a sua coragem. Mas, diante de uma serva, afirmou que não conhecia Jesus. Naquele momento, isto parecia-lhe uma pequena mentira, para poder permanecer perto de Jesus”. Se Pedro passou por tudo isso, imaginemos nós. São João Paulo II nos assegura: “Não tenhas medo de tuas fraquezas nem dos mistérios de Deus”. “Santo não é só aquele que cai, mas aquele que nunca desiste de se levantar”. Ame a Páscoa e a Eucaristia e serás um anunciador de Jesus Ressuscitado. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Professor do Seminário de Diamantina e da PUC – MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – MG

Membro da Academia Marial – Aparecida – SP

 

 

“Que a vivência da Ressurreição nos ressuscite e nos fortaleça em nosso compromisso com as pessoas empobrecidas e perseguidas. Somos chamados à vida plena!”

Estamos vivenciando o mistério de um Deus, que “renunciou ao direito de ser tratado como Deus. Pelo contrário, esvaziou-se a si mesmo e tomou a forma de servo… rebaixou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o elevou ao posto mais alto” (Fl 2,6-9a). A paixão de Cristo continua acontecendo na vida dos pobres do mundo inteiro, que são vilipendiados pelos imperialismos. Que a solidariedade de Deus, por meio de Jesus Cristo, nos inspire a sermos solidários com todas as pessoas que sofrem, em especial com as/os cristãs/aos que sofrem perseguição em cerca de 50 países, atingindo, segundo a ONU, 250 milhões; cerca de 90 mil cristãos já foram mortos por não renegarem a sua fé. Mas, a força da vida é maior do que morte e ressurge, mesmo nas adversidades e com mínimas condições. Que a vivência da Ressurreição nos ressuscite e nos fortaleza em nosso compromisso com as pessoas empobrecidas e perseguidas. Somos chamados à vida plena!

 Sexta feira da Paixão
  Maria Antônia Marques

Fé e Política

 

O título deste artigo nos remete a relação entre duas esferas da ação humana que sempre geraram muitas controvérsias ao longo da História. Na defesa da Fé e do poder Político muitas guerras já foram realizadas ao longo dos tempos, entre elas as Cruzadas Medievais, a Revolução Gloriosa, na Inglaterra, a Guerra entre Israel e Palestina, entre outras.

No Brasil dos dias atuais estamos longe de viver uma guerra em decorrência de questões religiosas, mas nem por isso o tema não tem causado debates acirrados. Isso porque temos vivenciado cada vez mais a presença de políticos eleitos a partir do apoio explícito de grupos ou Igrejas cristãs.

Tal situação nos leva a alguns questionamentos…

Como a Igreja e seus fiéis devem vivenciar a prática política? Quais os limites das instituições religiosas no que tange a participação na política partidária? O Cristão deve se envolver com a Política? Como fundamentar a partir da Bíblia a ação política nos dias de hoje?

Estas e muitas outras perguntas em algum momento da nossa caminhada de Fé inquietaram-nos e nos fizeram refletir sobre o caminho a seguir. Em tempos, nos quais diversos seguimentos religiosos financiam e cooptam seus fieis a votarem em candidatos indicados pela agremiação religiosa, sob a argumentação de que “Cristão vota em Cristão”, vale muito a pena a reflexão.

Será que é esta a prática política que Jesus Cristo disseminou ao longo de peregrinação entre nós?

Ao conhecermos a vida de Jesus percebemos claramente que sua ação política sempre foi pautada no bem comum. E é exatamente para este tipo de política que o cristão é chamado. A luta por um atendimento médico digno, por educação de qualidade, por espaços de lazer para a população, saneamento básico, entre outras demandas de serviços públicos devem, obrigatoriamente, fazer parte da ação política de um cidadão de fé. Luta esta que passa muito longe dos conchavos políticos, das manipulações de eleitores, da busca de promoção própria e das agremiações religiosas as quais pertencem determinado candidato. A atuação política de um cristão deve estar pautada na ética e na busca de um mundo com mais justiça social.

 

Flávio Puff

Professor de História

IFMG/Campus São João Evengelista

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