230º Jubileu: Deus armou sua tenda entre nós!

 

De 13 a 24 de junho acontece em Conceição do Mato Dentro, Diocese de Guanhães, o 230º Jubileu do Bom Jesus de Matozinhos. Novamente a colina onde está o Santuário estará coberta com centenas de barracas, tendas onde habitarão milhares de romeiros que acorrem anualmente ao Bom Jesus. As ruas estarão repletas de visitantes, vendedores ambulantes, barraqueiros… uma transformação total! O coração da Diocese passa a bater em Conceição; para ali acorrem padres e bispo com um só desejo: ajudar o povo de Deus a encontrar a Palavra, a Eucaristia, a Misericórdia… a Paz!

Essa festa que ultrapassa dois séculos faz-me lembrar a festa judaica de Sucót, a festa das Tendas ou dos Tabernáculos, que acontece em Tishrei, o sétimo mês do calendário hebreu, e está prevista no Levítico (23, 33-36.39-43). Durante oito dias nossos irmãos judeus saem de suas casas e passam a viver nas tendas construídas ao redor da moradia, recordando o tempo da longa travessia do deserto, ocasião em que habitavam em tendas pobres que mostravam o céu. Celebram também, em Sucót, a festa da colheita, e agradecem a Deus os frutos da terra, plantados e colhidos com seu trabalho; agradecem também pela água necessária nos campos, no uso doméstico e no bem-estar em geral. No fim dessa festa, como nos relata o evangelista João, o Bom Jesus disse à assembleia de fiéis: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba; aquele que crê em mim, do seu interior brotarão rios de água viva” (Jo 7, 37-38).

Os romeiros do Bom Jesus, como os judeus na festa das Tendas (sucót), não celebram simplesmente, de maneira rotineira, uma festa do calendário litúrgico, mas colhem, durante as liturgias, as incontáveis bênçãos do céu que se abre sobre os peregrinos e transborda com grande fartura sobre cada um.

O Jubileu do Bom Jesus é a festa mais antiga da Diocese de Guanhães. Começou em 1787, com ordem do Papa Pio VI. Essa festa tem raiz bíblica (Lv 25, 11; Lc 4, 18), e trata-se de um tempo de perdão das dívidas, perdão dos pecados, redistribuição das terras, etc. Tempo de ação de graças!

Quando os judeus, na Festa das Tendas, saem de suas casas confortáveis e passam a residir na tenda, estão a exercitar a humildade, estão a relembrar o quanto a nossa morada na terra é passageira. Os romeiros do Bom Jesus nem sentem o desconforto das barracas, o desnível do chão, o frio, o trabalho que dá para tomar banho. Tudo isso é nada diante da alegria de rever os companheiros de jubileu e, sobretudo, a graça de estar aos pés do Bom Jesus e receber as bênçãos d’Ele.

Durante os oito dias da Festa de Sucót, as ruas de Jerusalém ficam mais iluminadas do que em dias normais. O comércio e todos os setores da cidade entram em clima de festa, na espera das copiosas bênçãos que hão de se derramar do Altíssimo. Durante os onze dias do jubileu do Bom Jesus, as ruas de Conceição do Mato, sobretudo as do entorno do Santuário, se transformam para acolher tanta gente, vinda de tantos lugares diferentes. No último dia, o dia da bênção solene do Jubileu, as incontáveis velas formam um mar de luzes na colina do santuário, feito um extraordinário pentecostes. O cheiro maravilhoso do incenso recorda a presença de Deus Misericordioso a abençoar seus filhos e filhas, lembrando-nos que Ele habitou entre nós. Deus realmente armou sua tenda entre nós (João 1, 1-18).

Pe. Ismar Dias de Matos, sacerdote diocesano, professor de Filosofia e Cultura Religiosa na PUC Minas, em Belo Horizonte. E-mail: p. ismar@pucminas.br

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