O Dia Mundial das Comunicações: O pontilhado e contínuo da linguagem

 

“Palavras são como o pêndulo do relógio, sempre trazem um novo tempo”

(Côn. Manuel)

 

Tenho refletido nas palavras da Sagrada Escritura, a Bíblia, quando dizem: “Quando vos entregarem, não vos preocupeis em como ou o que falar” (Mt 10, 19) e ainda: “… não se preocupem com a forma pela qual se defenderão, ou o que dirão” (Lc 12,11-12) e, com segurança testemunha: “Permaneça em vós o que ouviste desde o princípio” (1Jo 2, 24). Ao ler o livro de Arcângelo R. Buzzi, Filosofia para Principiantes, deparei-me com este pensamento: “a linguagem sinaliza a realidade”. Acredito que aqui se concentra uma realidade que não é difícil se encontrar no nosso dia a dia. Ao decompor em suas partes a palavra sinalizar, observei que ela tem o objetivo de exercer a função de sinal. Comparando palavra e sinal, vi que, tanto uma como a outra, são necessárias ao ser humano. Andando por nossas estradas e ruas, vemos que existem, curvas e contracurvas, voltas e mais voltas. Na comunicação também é assim. Se devermos ter prudência nas estradas e ruas da vida, na comunicação não é diferente. Em qualquer estrada que transitamos, sempre encontramos a faixa contínua e a faixa pontilhada. A comunicação também tem estas faixas. A faixa continua diz que não devo ultrapassar, pois o perigo pode ser eminente. Quando falamos devemos ter em mente a faixa contínua. Não ofereça perigo para você e para os outros. Não ultrapasses acreditando que tudo vai dar certo. O perigo pode visitar sua consciência, sentimentos e coração. Quando pensamos que temos a maturidade da comunicação rodados na ‘quilometragem da vida’, cuidado, o perigo não escolhe seu ilustre visitante. Surpresas podem acontecer.

Nosso Arcebispo Metropolitano e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação de CNBB, Dom Darci José Nicioli, CSsR fez um pronunciamento / carta para motivar e bem celebrar com alegria o 51.º Dia Mundial das Comunicações. Diz Dom Darci José: “O Papa nos fala para comunicar a esperança e a confiança em nosso tempo. Eu sou filho de uma tradição da Vida Religiosa que tem as marcas de um intrépido comunicador do século 18, Santo Afonso Maria de Ligório. Ele era cuidadoso e considerava de fundamental importância a formação dos seus missionários. Formação humana e cristã. Eu creio que esse permanece sendo um ensinamento de grande valor: só conseguiremos comunicar a esperança se trouxemos uma expressão clara das razões mais profundas dessa mesma esperança! Por isso, nos cabe a tarefa, como comunicadores, de nos empenhar sempre, no estudo da Sagrada Escritura, do Magistério da Igreja e das belas expressões dos valores humanos presentes na literatura laica”.  Com voz profética o Arcebispo de Diamantina assegura: “O painel diário montado pelas Grande Mídia, agora ampliado pelas Redes Sociais, nos leva a crer, facilmente, que no mundo só existem canalhas, ladrões, pilantras e hipócritas. A realidade não é esta. Precisamos denunciar essa fraude. Há uma riqueza humana enorme e majoritária sendo vilipendiada pela Mídia e quase ignorada nas principais manchetes … nós, comunicadores, precisamos prestar mais atenção nessas pessoas de bem ainda que não tenhamos delas declarações bombásticas e nem gestos de celebridades”.

Eis, pois, que nossa exposição quer visibilizar a faixa pontilhada legalizada na ultrapassagem da comunicação. É uma analogia, mas vale. Tenho visibilidade e, conseqüentemente, posso chegar ao destino do que quero comunicar. Quem já não ouviu a ‘celebre’ frase: “tenho que dirigir para mim e para os outros”. E eu. Será que inspiro toda a confiança ao outro? Nenhum motorista tem confiança no outro. Por quê? O que o outro tem de tão inteligente ou de perigo que me faz estar de alerta na confiança e na prudência? O outro também pensa isto de mim? Pois é. Quando comunicamos, nossa linguagem ‘pontilhada’, oferece condições para expressarmos nossas vontades. Mas, quem está na minha frente? Até com esta dose de liberdade, preciso ter prudência. Por que as coisas têm de ser assim? Será que a comunicação não está em suas mãos? Isto pode ser visto nas seguintes pessoas: as de estopim curto; as que não levam desaforo para casa e, sobretudo, as que sempre querem ter razão. A linguagem destas pessoas, a qualquer hora, pode ser contínua e pontilhada. Cuidado!

Quem já não encontrou buracos na estrada e, automaticamente, desvia a direção com a finalidade de evitar um acidente de menor ou maior proporção? Por muito eficazes que sejam os sinais, os buracos atestam mais nossa capacidade de dirigir e, como consequência, nossa atenção. Os (as) fofoqueiros (as) da vida são como as estradas com buracos. São o perigo sempre vigente. A ilustre e solene vibração com que passam um comentário, uma notícia, um acontecimento ou um fato, com a seriedade de seus conhecimentos, vislumbra a inteligência e sua astúcia. Frases, como estas, identificam estas pessoas: “estou passando as coisas como eu ouvi”; “não estou acrescentando nada”; “a pessoa que me contou é de confiança” e… tantas outras frases. Cuidado! Não atrase a viagem de sua vida ouvindo estas pessoas. Elas gostam de ver o “pneu” furado nos outros. O desejo delas é chegar primeiro, nem que para isso tenham que pisar quem lhes rodeia. Aconselho. Ame sua consciência. Seja fiel aos seus sentimentos, respeite seu coração. Sinalize sua comunicação. Pense nisso.

 

Côn. Dr. Manuel Quitério de Azevedo

Prof.º do Seminário de Diamantina e da PUC-MG

Membro da Academia de Letras e Artes de Diamantina – (ALAD).

Membro da Academia Marial – SP

 

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